Terça-feira, 31 de Maio de 2005

ENTÃO, O QUE TENS FEITO ?

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Como uma parte significativa do eleitorado de Le Pen veio directamente do PCF, suponho que tenha havido reencontros de muita malta, nas comemorações da vitória do Non e que não se encontrava há um porradão de tempo.
publicado por João Tunes às 23:06
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O QUE TEM DE SER A EUROPA? (3)

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publicado por João Tunes às 16:50
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O QUE TEM DE SER A EUROPA? (1)

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publicado por João Tunes às 16:48
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O QUE TEM DE SER A EUROPA? (2)

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publicado por João Tunes às 16:48
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QUE FORÇA É ESSA?

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É-me um mistério da condição humana o mecanismo de nos defendermos não vendo aquilo que não queremos ver. Falo por mim que fiz militância de cegueira anos a fio (outras militâncias também e de olhos bem abertos, abone-se). E se falo de mistério a propósito de uma coisa tão óbvia e que tanto salta à vista no conhecimento do processo de cegueira construído, isso, mais que certo, não será mais que um mecanismo justificativo, agora em efeito de réplica, com alguma indecência na missão de nos justificarmos para não nos olharmos ao espelho com a sensação de que não passamos de um gajo fatela que andou por aí a enfiar barretes. E a menos que se seja saloio, campino ou folclórico dos fandangos, ninguém gosta de andar a passear um barrete enfiado na cabeça.

Pois temos aí obra parida (*) para ajudar os renitentes. Não só, mas também. Pelo menos, os menos renitentes dos mais renitentes. Afinal, obra aberta até aos cegos. Julgo até que ela só possa escapar aos zarolhos ideológicos – os mais cegos entre os cegos da toleima porque vendo de um olho só, eles imaginam que vêm mais que todos e em nosso nome.

Batido em várias camadas do percurso do desencanto, o livro não deixou de me defrontar com várias perplexidades e só dessas hoje partilho espantos:

- Que força foi essa que levou uma mulher a que, por paixão, se casou com 16 anos com um revolucionário de 42 de idade, viveu um pouco de amor (mas suficiente para, desse amor, ter um filho) e depois tivesse suportado toda a vida no preço errado da sua escolha certa (dando como certa, como dou, a escolha de qualquer apaixonado ou apaixonada)?

- Que força foi essa a de Anna Larina que, tendo o marido destruído e assassinado às mãos dos seus, o filho subtraído e obrigado a mudar de apelido, suportasse as penas de prisão, tortura e campos de concentração (sim, no Gulag, ó choramingas nos ombros dos tallibans vítimas de Guantanamo!), durante 16 anos e que, no final, acusou Estaline da parvoíce maior de permitir conservá-la no reino dos vivos, decidindo contar o que soube e sentiu, reabilitando-se a si e ao marido, recuperando para o filho o apelido de família.

- Que força foi essa para que esta mesma mulher, sofrendo e sobrevivendo por paixão, se recusasse a mitificar e a heroificar a vítima - seu marido e sua paixão - apesar de Lenine o ter apelidado de “filho mais querido do nosso Partido”, querendo-o humano (contraditório - corajoso na coragem, canalha na canalhice, revolucionário que não deixou de ser homem) para o sentir vivo e ao seu lado (seu homem, não seu herói)?

- Que talento foi esse, o de Anna Larina, para escrever com tamanho talento e força sobre uma das maiores perfídias entre as perfídias, através de um livro que é um hino de humanidade?

- Que monstruosidade foi (é) essa do Leninismo que permitiu que o mais incapaz mas mais cruel dos herdeiros de Lenine sentisse necessidade de destruir primeiro, liquidar depois, todos os companheiros de Lenine para que o Leninismo se realizasse?

- Que grande dignidade foi essa a do médico Ludgero Pinto Basto, homem de muitas lutas generosas, militante do PCP (e seu antigo dirigente ao nível do Secretariado), recentemente desaparecido (ler aqui), ter feito da tradução da obra de Anna Larina Bukharina um dos seus grandes e últimos projectos de vida e de luta, morrendo comunista mas não cego entre cegos (eu vi, com os olhos já a curarem-se das cataratas ideológicas, a bílis a subir aos olhos de velhos bolcheviques da fracção cunhalista do PCP quando, em 1988, Bukharin foi reabilitado e ... readmitido como membro do PCUS, enquanto desbafavam "traidor do Gorbatchov que até limpou esse traidor e fascista do Bukharin, onde nós chegámos!")?

(*) – “Bukharine, Minha Paixão”, Anna Larina Bukharina, Edições Terramar
publicado por João Tunes às 16:29
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BOM PARA O PIB, MAU PARA O AMBIENTE

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Fernando Gomes, o antigo autarca, o antigo ministro, o antigo deputado, passou a ser o novo Executivo responsável pela Prospecção e Exploração de Petróleo na Administração da Galp.

Anuncia-se um retrocesso no desenvolvimento acelerado em que Portugal estava tão empenhado na aplicação e desenvolvimento tecnológico no campo das energias renováveis. É que com tanto petróleo que o novo Administrador Executivo da Galp vai por aí fora descobrir (ninguém sabia mas ele deve ser especialista na coisa), vamos ter um recuo anti-Kioto para a utilização intensiva da clássica, gasta, poluente e não renovável fonte de energia. Salva-se o PIB mas desanimam os Ambientalistas!
publicado por João Tunes às 11:55
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2005

OBVIAMENTE

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Depois do resultado em França, não faz sentido continuar com mais referendos noutros países. Será teimosia numa formalidade estúpida se Jorge Sampaio insistir em manter o Referendo sobre a Constituição Europeia na data prevista.

Primeiro, há que resolver o imbróglio pois não deve haver muitos excêntricos a conceber a Europa sem a França. Depois, falaremos.

Entretanto, os demagogos à extrema-direita e extrema-esquerda que, em vez de discutir a Constituição, queriam era fados e guitarradas (e que explica que Le Pen, trotsquistas e estalinistas tenham andado juntos em “festa à grande e à francesa”), guardem os cartazes e os foguetes e aguentem-se até ver como param as modas.
publicado por João Tunes às 23:39
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LIBERTAÇÃO E QUESTÃO RACIAL

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Mais um precioso post do WR, agora sobre os problemas raciais nos movimentos de libertação africanos (no caso, portas dentro do MPLA), pode ler-se aqui e a que se promete dar continuação.

O post do WR, numa leitura imediata, induz (pelo menos, isso aconteceu-me) uma leitura taxativa de que o problema racial era um problema em si. Pela minha parte, penso que, se existia um problema racial de facto (que mais não fosse como reflexo de resposta a uma sociedade colonialista, assente ela própria no racismo, segregando um racismo preto em resposta ressentida e imediatista ao insuportável racismo branco), a sua dimensão e motivação mais preocupantes, se assim se pode dizer, extravasavam as barreiras raciais e apontava para outras fracturas e níveis de ressentimento (funcionando mais como pretexto que como causa). O facto é que a maioria das elites dos movimentos de libertação (MPLA, Frelimo, PAIGC) foram politizadas no seu contacto com o marxismo-leninismo aprendido (e, na maior parte das vezes, treinado e praticado) na Europa (por exemplo, na Casa de Estudantes do Império, em Lisboa). E, por razões de estatuto sócio-económico-cultural, uma grande parte dessa elite era constituída por africanos brancos ou mestiços (Marcelino dos Santos, Lúcio Lara, Mário Andrade, Amílcar Cabral) porque eram os brancos e os mestiços que mais hipóteses tinham de frequentar a Universidade em Portugal. Para além de que, paradoxalmente, eram os melhor aceites na aprendizagem de luta nos movimentos estudantis e no antifascismo metropolitanos. Naturalmente, para os africanos negros (e a grande massa de combatentes só podia ser de negros), havia uma espécie de percepção de fatalidade – passar do domínio dos colonialistas brancos para o mando de uma nova camada dirigente independentista onde grande parte dos lugares de destaque estava ocupada por mestiços e até alguns brancos. Ao mínimo problema de divisão ou de agudização das dificuldades, impostas muitas vezes pelas próprias agruras da luta armada, como não cair na tentação de simplificar os problemas de clivagens vendo nesses mestiços e nesses brancos a “continuação da supremacia colonial”?

Já no terreno da luta armada, essas elites iam disputar a repartição de lugares no quadro dos movimentos. Enquanto os movimentos de marca mais primária nos seus objectivos de transformação das realidades (FNLA, UNITA) tinham assumido uma dicotomia preto-branco e o facto de os brancos independentistas e mestiços estarem no MPLA levou a que não só a propaganda usasse este facto para diminuir a penetração do MPLA, apontando-o como um “movimento de mestiços”, como acabou por contaminar o interior do próprio MPLA com a questão racial. E a tal ponto que, por iniciativa de Viriato Cruz (um mestiço não escolarizado nem politizado em Portugal), os brancos e mestiços dirigentes do MPLA se auto-excluiram da direcção política (casos de Viriato Cruz, Lúcio Lara, Mário Andrade e mais alguns quadros de pele branca) para não darem “pretextos de propaganda” à FNLA e UNITA. Esta “cedência”, mais tarde rectificada, teve a importância de introduzir, de forma irreversível, a questão racial dentro do MPLA. Mas se olharmos o que se passou em Moçambique e Guiné, onde as questões raciais não têm a mesma história nem sequer pretexto idêntico, mas existiram e foram agudos (porque é que Marcelino dos Santos e Jacinto Veloso nunca passaram além de “eminências pardas” do regime frelimista?) (porque é que a imensa autoridade e prestígio de Amílcar Cabral nunca conseguiram solucionar a contradição guinéus-caboverdianos e pagou essa incapacidade com a própria vida?), não é caso para se confirmar que, na luta pelo poder, no quadro de estruturas de matriz marxista-leninista, qualquer pretexto serve (por via do próprio afunilamento de supremacia na pirâmide do “centralismo democrático”) para separar dirigidos e dirigentes, criando fracções e bases programáticas tantas vezes improvisadas e a disfarçar razões mais primárias de luta pelo poder. E movimentos construídos para libertarem povos e países de domínio colonialista e racista com séculos de poder absoluto e brutal poderiam libertar-se da ganga da contaminação dos problemas a resolver?

Estas algumas achegas para alimentar o debate em boa hora lançado pelo WR. Suponho que, num próximo post, ele vá abordar o fenómeno nitista do 27 de Maio (que também bebeu no pretexto racista, não só mas também). Espero que ele dê a sua interpretação porque é que a suposta grande alma da insurreição (Sita Valles, uma não negra de origem indiana) representava, na aparência ou de facto, a figura de eminência parda da Fracção MPLA-ML, enquanto as figuras de líderes expostos eram dois negros puros (Nito Alves e José Van Dunen), sendo certo que um numeroso lote de brancos e mestiços do MPLA engrossaram as hostes da ala negra nitista. E se neste último tipo de adesão, não contribuiu o conhecido fenómeno da atracção pelo radicalismo por parte de apressados em redimirem-se de pecados de cor de pele, em que uma grande parte de brancos e mestiços que se colocaram contra o colonialismo se assumiram (ou ainda se assumem, os que ainda não fizeram a via do desencanto) como os radicais entre os radicais, os mais apressados na fase da pressa e antes que o cansaço ocupe o lugar do frenesim.
publicado por João Tunes às 16:47
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NÃO

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Em França, ganhou o Não. Tudo bem. Quando se referenda, tanto pode ganhar o Sim como o Não. Um eleitor, um voto. Lá, ganhou o Não, está ganho. Siga.

O que me chateia é que, com o Não, em França tenha também ganho Le Pen. Como cá, se ganhar Manuel Monteiro e Pacheco Pereira. Não é por nada. Um referendo referenda, está referendado. Mas chateia-me que estes gajos ganhem. Porque quando eles ganham, eu tenho a sensação que perco.
publicado por João Tunes às 00:46
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Domingo, 29 de Maio de 2005

BEM LEMBRADO

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Adelino Gomes na coluna "30 Anos de PREC", no Público de 27 de Maio de 2005, lembra notícias de há 30 anos, em pleno período revolucionário, em 1975:
"Entrou em vigor a lei do divórcio. No mesmo Diário do Governo é publicado o decreto-lei que revoga o artigo 272º do Código Penal... Na verdade a lei portuguesa estabelecia até agora, uma pena de desterro para fora da comarca, por seis meses, ao homem casado que, achando a sua mulher em adultério, a matasse a ela ou ao adúltero, ou a ambos, ou lhes fizesse qualquer ofensa grave."
Matou a mulher? O amante da mulher? Os dois? Então vai ter de ir a banhos. Vai ter de ir viver seis meses para fora da comarca. E a Igreja? Amparava o regime do seu catolicíssimo protector Salazar.
publicado por João Tunes às 21:36
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