Terça-feira, 3 de Maio de 2005

SLIDE

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Tenho correio atrasado. Abraços para abraçar. Muito celebrar adiado para gente viva de vida merecida. Passaram datas que marcam sem as comemorar nem sequer riscar do calendário. Gentilezas por agradecer. Não falando de uma ponte que se partiu e se reconstruiu com tijolos saídos da fundição do cansaço da talvez última guerra da temperança do crescer. Entre tantos telefonemas na agenda das urgências só um consegui fazer e fiquei logo cansado de falar. E os livros para ler? As notícias para comparar? E o aniversário oitentão do patriarca a que não posso faltar? E o neto de cinco anos quase a fazer? E o post para alinhavar? Em faltas tantas, até estou em falta com assinatura requerida para ajudar um despassarado que foi dar passas num Emirato em vez de se oferecer como voluntário no Centro de Dia da sua freguesia que lhe daria agora, em vez de desgosto, a amizade dos vizinhos velhotes com conversa em atraso.

Não adormeci. Nem fugi cá não estando. Estou não estando, é isso. Não estou cansado mas vivo para viver. Embora atrasado. Sempre atrasado. Na estupidez egoísta da mania de acumular atrasos em cima de atrasos como se a vida fosse uma estante.

Mas, queiram ou não, estou desculpado. Tanto que nem precisam de me desculpar. Faço-me isso por atacado. É que não é todos os dias que a vida nos pára à volta e só temos olhos para dois olhos. E cabelos onde só as nossas mãos sabem o caminho de passear. E uma vida em mistura, onde tudo, tudo, num instante, resolveu recomeçar. Não escolhemos o momento em que tudo que nos dá moldura se torna difuso e ligeiro nos traços. E nos alucinamos no vital, no único, numa bebedeira do exclusivo. Sem direito a plateia ou mesa de convívio. Porque, aqui e então, o vinho não se serve nem se bebe, corre veias abaixo, veias acima. Só. Tanto. Sabendo sempre a pouco. Em que qualquer terceiro, estimado até mais não, não tem cadeira para sentar.

Não estou em falta com ninguém. O tempo é que parou. Tarda nada, uma hora destas, vou dar corda ao relógio.
publicado por João Tunes às 13:17
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6 comentários:
De Werewolf a 3 de Maio de 2005 às 22:15
Não estamos assim em lados tão diferentes e não vejo porque não podemos bater à mesma porta, ou até entrar na mesma casa. As diferenças clubísticas são secundárias, quanto às partidárias, não sei, é verdade que és mais alinhado, defendes mais a tua dama, tens um passado mais militante partidariamente, eu não tenho partido, voto estrategicamente neste ou naquele, conforme manda a minha consciência, mas a nossa casa é a mesma, a da esquerda e do pluralismo.

Gostei da apreciação que fizeste ao caso IVO, num post mais acima. Eu por amizade aos pais do Ivo, em particular à mãe, amiga de longos anos, não toquei no assunto, mas a verdade é que há por aí outros Ivos com problemas bem mais graves, como muito bem referes. Quanto ao Ivo o que desejo é que seja tratado com dignidade e que tenha um julgamento justo. Costuma-se dizer que em Roma sê Romano e o Ivo sabia os riscos que corria num país como o Dubai. O Ivo é importante, mas mais importante ainda é se servir de pretexto para despertar consciências para os outros Ivos, independentemente da nacionalidade que possam exibir.

Lembro-me de há muitos anos ver um filme (baseado numa história real), cujo título não recordo, que tratava de um assunto semelhante ao do Ivo, era também um jovem que foi preso num país oriental, salvo erro Singapura ou Tailândia acusado de usar drogas para consumo próprio. Passados estes anos todos nem uns nem outros aprenderam nada.

Sejamos então solidários com o Ivo para que possamos ser com todos os outros Ivos.

Abraço preocupado


De Guida Alves a 3 de Maio de 2005 às 19:35
;) ;) (Dupla piscadela de olho...)


De Joo a 3 de Maio de 2005 às 17:59
Tou. Oh se tou. E obrigado por o silêncio não ter dado lugar ao esquecimento.


De IO a 3 de Maio de 2005 às 17:41
'tá à vontade, abraço, IO.


De Joo a 3 de Maio de 2005 às 16:59
Folgo, amigo meu. No melhor que me acontece, desejo o mesmo ou parecido aos amigos. Mas calha bem embicarmos, em paralelo, mas sempre para lados diferentes. Clube, partido e não só. Olha se um dia fôssemos bater à mesma porta... Livra! Não achas? Abraço.


De Werewolf a 3 de Maio de 2005 às 15:09
Como te compreendo João, esta semana, curiosa coincidência, passou-se algo de semelhante comigo, mas cá estarei de novo em breve. Aquele abraço.


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