Quinta-feira, 28 de Abril de 2005

Ó MANUEL, NEGOCIAMOS UM EMPATE?

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Aceito a crítica do Manuel Correia quando me atira “last but not least o nosso amigo e vizinho João Tunes (Água Lisa 2) apaga um post humorado em que se referia ao Cardeal Ratzinger como o Pastor Alemão”.

Aliás, verdade se diga e fique desde já certificado, eu concordarei com tudo o que o MC escrever nos próximos tempos. Devido à alegria do prazer de o voltar a ler nesse tesouro blogosférico que é o Puxa Palavra, um blogue feito por gente vivida, reflectida e de palavra afiada mas sensata (pese embora - ressaibo de lampião - a lagartagem estimada que por lá habita e que já me levou ao impulso ímpio de aqui pendurar o emblema rival).

Mas, no caso, não é só concordar por concordar. Mais que isso, é entender o fundo decantado nas palavras do MC. E o alerta que elas ressoam. Se bem entendi, o efeito de auto-censura da capacidade crítica e desconstrutiva dos republicanos de espírito face ao poder do Vaticano mediatizado e a ameaçar ocupar espaço de poder totalitário por via de assalto teocrático tentado sobre a soberania laica que tanto custou conquistar e se vê não estar consolidada.

Terá alguma razão o MC, mas não lhe dou toda a razão.

A minha antipatia pelo Vaticano e por Ratzinger não sofreu beliscadura. E acho que um Papa, um Papa a sério (e este não tenho dúvida que o será, já o sendo), não merece a indulgência do estado de graça que se costuma dar a governantes pecadores da política e na política. Além do mais, seria uma ofensa ao Espírito Santo, julgando-o capaz da leviandade de inspirar escolha conclávica de um “vira casacas” relativamente ao que foi a sua praxis cardinalícia. E há quantas décadas os portugueses se habituaram à presença tutelar (pelo menos, em negócios) do Espírito Santo? Mais que qualquer outro povo, o português sabe dos atributos larguíssimos do Espírito Santo (para mais, aqui, onde não é mero vértice de um triângulo mas se apresenta organizado em Grupo) e da forma eficaz como nos ilumina através de regimes (fascismo e democracia) e de governos de partidos (PS ou PSD ou PP). Por tudo isto, não acredito, não posso acreditar, nas mensagens que abundam por aí de propagação da esperança que Bento e Ratzinger serão duas e diferentes pessoas. E se Ratzinguer Cardeal foi péssimo, não vejo que o Papa Bento XVI possa ser óptimo ou sequer aceitável. Quando muito, o refúgio de esperança é que não dure demais e a “tchernenko” venha a suceder “gorbatchov” (não de vermelho vermelhão, mas de púrpura).

No entanto, o post que reneguei tinha uma via de facilidade de imagem e de associação que me pareceram, depois e após ajuda do alerta crítico de um companheiro – o Carlos Gil - Xicuembo -, como sendo primário e até ordinário porque amarrava Ratzinguer ao seu passado de adolescente nazi, causticava-o por aí, ou seja, na sua fase de vida menos responsável. E o trocadilho canídeo com o “pastor alemão”, não me pareceu, depois e a frio, de recomendável gosto. Pensando melhor, achei e acho que este Papa (que considero um péssimo Papa e que representa o pior do ressurgimento do pior Vaticano) merece combate de nível mais alto, não lhe baixando a guarda no afã de o deitar abaixo pela rasteira ou pela canelada. Assim, julgo que mais que auto-censura, a minha contrição foi ditada pelo desejo de não subestimar o (melhor, um) adversário. E não estou arrependido.

Quero-te, caro amigo MC, activo e bem activo na blogosfera. Bem penámos já pelo teu demasiado silêncio. Levas as Taças todas, se necessário. Mas, neste teu aparte, perdoe-se-me a sovinice, não levas os três pontos, contenta-te lá com um que é o prémio regulamentar para os casos de empate. E segue o abraço que é oferta da Liga.

Adenda:
O Manuel Correia, barreirense adoptivo como eu (parafraseando outros, os das camisolas às riscas, só eu sei o que esta cumplicidade significa), deu troco ao meu troco. E coloca questões que também a mim (só a nós?) preocupa. E que julgo merecerem debate antes que debater seja heresia de Estado. Daí ter entendido puxar-lhe a “réplica” deixada nos “comentários” para aqui:

”Amigo João Tunes, Aceito o empate. Acho-o justo. Aqui para nós, nem pedia tanto. Tal como outros dos teus amigos, que tanto prezas, não vou ao homem, mas à bola (às ideias). Nada me chateia mais de que o excesso fulanizado que ameaça a serenidade de qualquer boa discussão. Confesso que fiquei um pouco surpreendido. Para além de já não falarmos há tempo, e sem embargo de compreender tim-tim por tim-tim a tua couraçada argumentação, ao velejar na tua "Água Lisa", deparei-me com um fenómeno que supunha (e suponho) raro entre nós. Podemos exceder-nos - gentes de muita emoção e espontaneidade - e dar bronca, eventualmente. Por mim, já perdi o conto às vezes em que tal me aconteceu, na blogosfera e fora dela. A tua «cedência» impressionou-me mais pela visão que os deuses me proporcionaram - a constelação das rábulas católicas em Madrid, Dili e... aqui - do que pelo direito que obviamente tens de manipular o teu blogue como achares melhor. Pensei: ora aqui está um bom pretexto para tomar o pulso ao João Tunes. E tu, caro e diligente amigo, percebeste, como aliás era de esperar. O empate, que venho fraternalmente buscar ao “Água Lisa 2”, favorece-me. No domingo passado espreitei um pouco do Herman SIC. Ele e a Ruef apresentaram uma paródia que chalaceava com o Vaticano e o Papa, designadamente publicitando uma linha de produtos designada «Habemos Papa». A plateia, nada. Gelada. Os actores à rasca. Aplausos só no fim e já a propósito de uma graçola lateral. Fiquei perturbado. Compreendi que voltámos ao tempo em que a perda de sentido de humor vem outra vez de sotainas. Nestas coisas, estou com os católicos que sabem rir-se e compreender que o humorismo só pode beliscar as crenças fracas e os dogmas que a suma hierarquia da Igreja de Roma teima em promover como identidade de todos os crentes. Já pediram perdão a Galileu. Antes do fim do milénio hão-de pedir perdão às mulheres. Se pudesse apostava.”
publicado por João Tunes às 16:20
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1 comentário:
De Manuel Correia a 28 de Abril de 2005 às 20:27
Amigo João Tunes,

Aceito o empate. Acho-o justo. Aqui para nós, nem pedia tanto. Tal como outros dos teus amigos, que tanto prezas, não vou ao homem, mas à bola (às ideias). Nada me chateia mais de que o excesso fulanizado que ameaça a serenidade de qualquer boa discussão.
Confesso que fiquei um pouco surpreendido. Para além de já não falarmos há tempo, e sem embargo de compreender tim-tim por tim-tim a tua couraçada argumentação, ao velejar na tua Água Lisa, deparei-me com um fenómeno que supunha (e suponho) raro entre nós. Podemos exceder-nos - gentes de muita emoção e espontaneidade - e dar bronca, eventualmente. Por mim, já perdi o conto às vezes em que tal me aconteceu, na blogosfera e fora dela. A tua «cedência» impressionou-me mais pela visão que os deuses me proporcionaram - a constelação das rábulas católicas em Madri, Dili e... aqui - do que pelo direito que obviamente tens de manipular o teu blogue como achares melhor. Pensei: ora qui está um bom pretexto para tomar o pulso ao João Tunes. E tu, caro e diligente amigo, percebeste, como aliás era de esperar.
O empate, que venho fraternalmente buscar ao água Lisa 2, favorece-me.
No domingo passado espreitei um pouco do Herman SIC. Ele e a Ruef apresentaram uma paródia que chalaceava com o Vaticano e o Papa, designadamente publicitando uma linha de produtos designada «Habemos Papa». A plateia, nada. Gelada. Os actores à rasca. Aplausos só no fim e já a propósito de uma graçola lateral.
Fiquei perturbado. Compreendi que voltámos ao tempo em que a perda de sentido de humor vem outra vez de sotainas.
Nestas coisas, estou com os católicos que sabem rir-se e compreender que o humorismo só pode beliscar as crenças fracas e os dogmas que a suma hierarquia da Igreja de Roma teima em promover como identidade de todos os crentes. Já pediram perdão a Galileu. Antes do fim do milénio hão-de pedir perdão às mulheres. Se pudesse apostava.


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