Quinta-feira, 21 de Abril de 2005

NA HORA AMARGA DO COMPADRE ISIDORO

Imagens antigas 246.jpg

Muitas são as boas causas que podem levar um blogue a fechar ou a definhar, ficando em ritmo do lá vai um. Saturação, luta contra o vício, a torneira escalavrou e deita água para o chão, outro e melhor meio de lidar com as palavras, não estar para aturar selvagens do fel que nos sarnam a cachimónia. Tantas que eu sei lá. Tantas e tão respeitáveis em si mesmas que muito me avenho com a dificuldade da escolha.

Mas existem más razões, razões deploráveis, para que a um blogger lhe dê para a secura. Entre as malvadas das razões, está a lei do tempo em estilo fast (em tudo, até no food), do voltar costas à bravura dos sonhos, da supremacia do comezinho medíocre sobre a valorização do desafio.

Um dos meus blogues de eleição, onde a palavra e a alma melhor se entendem, começou a pingar devagar, foi deitando umas gotas de vez em vez, até que pareceu passar-se para o mundo dos blogues finados, sem tempo de se despedir dos amigos e admiradores feitos, apenas com uma mensagem de amargura de remate. Afligi-me, quis saber. Até porque tendo conhecido a pessoa feita gente, na primeira meia hora de falarmos fiquei a sentir que nos conhecíamos de uma data de incarnações anteriores. Outros, o mesmo terão feito.

A explicação pelo silêncio e amargura passada a post lá veio: “Coisas que só acontecem aos taberneiros que às leis do mercado e das suas cíclicas e anunciadas crises preferem a poesia do tinto e dos rabinhos de porco com grão. Coisas de taberneiro naif. Coisas que só acontecem aos taberneiros que teimam que o Alentejo não deixa de ser Alentejo, nem o é menos – antes pelo contrário – se trajar a modernidade a que também tem direito.” E remata com este grito que me encheu o peito de desespero solidário: “Mesmo que aborte, fracasse, que vá à vida, não tenho a mínima dúvida que a Sulitânia Casa de comes-e-bebes é um marco no modernismo alentejano. Valha-nos isso!!!”

Pois a Sulitânia está a passar um mau bocado. Apesar de entendidos assim escreverem. É isso.

A estima tem deveres. Espero bem que a Sulitânia arrebite e dê um sorriso tranquilo nas bochechas do Compadre Isidoro. Que bem o merece. Pela minha parte, tarda nada, lá estarei a bater-lhe à porta para dois dedos de conversa e saborear gastronomia feita cultura de saber alentejano. Quem me faz companhia (claro que não precisa de ser na mesma altura!)?
publicado por João Tunes às 20:59
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5 comentários:
De Joo a 26 de Abril de 2005 às 15:52
Todos os caminhos vão dar ao Vimieiro. Perdão, à Sulitânia. Claro que isto é puro desejo. Mas real, real mesmo, é que, pela parte que me toca, não faltarei, só ou acompanhado, no abraço merecido ao compadre Isidoro. Um dia destes. E cada um sabe como cumpre as suas promessas. De pópó ou de burro, em dia de samana ou em dia de folga ou de descanso. O que é preciso é irmos até lá.


De Sonia F. a 22 de Abril de 2005 às 19:12
Como ainda não conheço o templo, será uma boa oportunidade de conhecer a casa e o resto do pessoal. Sim, só se for pelo fim de semana, como diz a Tia Guida. :)


De Joo a 21 de Abril de 2005 às 23:58
Muito bem, se houver quem mais alinhe, vamos organizar a coisa. Esperando ir a tempo, é claro.


De IO a 21 de Abril de 2005 às 22:39
Que tal os que têm carro e os que não têm organizarem-se e ir lá para um alto convívio? _ eu, à boleia... só não posso de 14 a 22 de Maio.
Abraço, 'chuinga'.


De Guida Alves a 21 de Abril de 2005 às 21:28
Claro que também irei ao compadre Isidoro, mas em fim-de-semana, com os meus sobrinhos Sónia e João, que são gente de trabalho!


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