Domingo, 17 de Abril de 2005

CLINT E A RELIGIÃO NA VIOLÊNCIA

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Quando o banzé é grande, deixo assentar a poeira. Se vem carregado de Óscares às costas, mais ainda.

Por essa é que só agora me apeteceu ir ver o “Million Dollar Baby”. Em boa hora. Cinema de primeira água (tudo - desde os planos, o ritmo, os movimentos de câmara, a iluminação, a direcção de actores) a transformar Clint num mestre de contenção, síntese e metáfora.

É um filme profundamente religioso e muito mais sobre a religião que sobre o boxe (o boxe só aparece como metáfora). Melhor, sobre a inquietação religiosa na procura de valores, sentido da virtude e do pecado, penitência de falhas essenciais em deveres para com os outros. Num mundo a viver a paranóia da violência e da selva. Onde é trágico procurar-se o bem, querer-se o bem. Em que fazer bem pode ser mortífero. Ou, no mínimo, inquietando a paz connosco. Onde, uns mais e outros menos, partilhamos orfandade perante o bem e o mal.

Por falta de respostas, “Million Dollar Baby” a nada responde. Tudo, como as cartas da filha ferida pelo rancor, vem “devolvido ao remetente”, sem que a insistência comova, sem que outro bem devolva a paz do perdão. E onde os padres se tornaram inúteis pela boa merda que fizeram a conluiarem com os poderosos pela sobrevivência do poder das sotainas, dando no que deu. Remetendo o religioso para o íntimo, para a consciência, igualando religiosos a não religiosos. Porque, queiram ou não os dos altares, por abuso de poder ou mau uso do poder, a coisa tornou-se secular e agora todos somos religiosos, cardeais até. Cardeais na falta de respostas, mas cardeais.
publicado por João Tunes às 23:08
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2 comentários:
De Joo a 18 de Abril de 2005 às 17:54
Claro que li o teu post sobre o filme. Só esperei que a poeira do chinfrim (o dos óscares) assentasse para ir ver. Abraço.


De Werewolf a 18 de Abril de 2005 às 00:45
Excelente análise, já tinha visto este filme ainda antes da atribuição dos Óscares e até lhe dediquei um pequeno post num dos acusos, ou provavelmente nos dois. Concordo com o a ideia de que o filme usa o boxe como metáfora para chegar muito mais longe, para chegar à vida e para a falta de respostas que temos para as nossas inquietações. Bravo!
Abraço cúmplice. Mário


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