Sexta-feira, 15 de Abril de 2005

CUBA EM GENEBRA

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Como se previa, sobretudo depois de os países da União Europeia terem decidido votar sim, foi aprovada a moção na Comissão de Direitos Humanos na ONU, reunida em Genebra, que censura Cuba pela violação de direitos humanos (pela prisão de opositores e jornalistas) e designa uma “relatora especial da ONU sobre os direitos humanos em Cuba”. Entre os 53 países membros da Comissão, registaram-se 21 votos a favor, 17 contra e 15 abstenções (o que representou uma maioria mais folgada que a obtida o ano passado, na mesma Comissão e sobre o mesmo tema).

O ministro dos negócios estrangeiros cubano, Felipe Pérez Roque, afirmou de imediato que o governo cubano não reconhece legitimidade à moção aprovada e que não haverá cooperação com a ONU no seu cumprimento, designadamente com a relatora designada. Quanto aos votos dos países da União Europeia, Pérez Roque qualificou-os de “claudicantes” e “servis” para com a Administração norte-americana.

Contra-atacando, procurando também levantar uma cortina de fumo para disfarçar o impacto da moção aprovada, Pérez Roque anunciou que, na próxima semana e na mesma Comissão, o governo cubano apresentará uma moção no sentido de ser promovida uma investigação à violação dos direitos humanos na prisão da Base norte-americana de Guantanamo situada em território cubano. E diz que vai fazer diligências junto da União Europeia para, também sobre este tema, usarem do critério condenatório.

É uma estratégia do “empurra” e do “quem é pior?”. Aliás, o regime castrista sempre beneficiou de silêncios e de cumplicidades, procurando com isso a impunidade para a sua componente repressiva e castradora da liberdade, através do seu papel de vítima dos norte-americanos. Procurando, com tremenda eficácia (até quando?), que os sentimentos anti-americanos, quantas vezes alimentados pela inépcia, sobranceria e espírito imperial da Administração dos EUA trouxesse condescendência (através de opções maniqueístas da escolha do “inimigo principal” ou do “mal menor”) para com as tropelias de tirania da ditadura caribenha. A manutenção estúpida do embargo a Cuba é, talvez, a melhor prova da falta de lucidez dos norte-americanos para ajudarem a criarem-se as condições que ajudem à democratização de Cuba.

Objectivamente, a situação prisional em Guantanamo é indefensável e condenável à luz do direito internacional e dos direitos humanos. E merece a condenação e a intervenção da comunidade internacional. Ela impõe-se e o seu melhor fórum de condenação é a Comissão de Direitos Humanos da ONU. Aprove-se a moção, seja quem for o seu proponente, e tomem-se as medidas subsequentes.

Mas Guantanamo não “substui”, não pode “substituir”, a realidade insuportável de o regime cubano manter aprisionados cidadãos “culpados” por delito de opinião. Isto não é um negócio de trocas e baldrocas. Em matéria de direitos humanos, não há “inimigo principal” nem “mal menor”, muito menos amigos e enteados. Há direitos e violadores de direitos. Direitos a defender, violadores a condenar.

Prisões políticas e Guantanamo – duas manchas na mesma Ilha. Sem opção de escolha. A limpar, simplesmente. Rapidamente.
publicado por João Tunes às 13:31
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2 comentários:
De Joo a 15 de Abril de 2005 às 17:11
E nós andamos cá para quê? Se são teimosos temos que ser mais e mais vezes a dar-lhes na cabeça. Ou não?


De IO a 15 de Abril de 2005 às 15:18
E, ainda por cima, envolve dois países que não são de respeitar a ONU...


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