Terça-feira, 12 de Abril de 2005

REGIONALICES AINDA A PROPÓSITO DO PINHÃO

pinh.jpg

O meu post sobre a estação ferroviária do Pinhão (na linha do Douro e com excelentes e bem conservados azulejos antigos sobre o ciclo do vinho) mereceu reacções estranhas.

Mereceu apoios firmes e cúmplices da Brígida, da Guida e do Werewolf. Que agradeço, como é devido.

Mas sofreu também uma clepto-tentativa sulista da parte do Raimundo que pretendeu situá-la (veja-se bem onde chega a sanha apropriadora) em … Torres Vedras. Como se alguma vez um torreense, por muito decente e até emérito que fosse, tivesse direito a uma Estação com aqueles azulejos e aquele enquadramento paisagístico! Qualquer dia, andam por aí a dizer que também fazem vinho do porto (porto vai com minúscula porque, quanto ao vinho, os portuenses são-lhe apropriadores do nome, o qual devia ser, se houvesse honestidade na designação, Vinho do Douro). Já meti adenda a colocar o Raimundo na devida decência de respeito pela propriedade alheia. Portanto, com ele, o assunto está arrumado.

Mas, pior ainda, foi a th, tripeira como não podia deixar de ser, a exigir uma referência à Régua num post que trata de Pinhão! Ora o que é que o Pinhão tem a ver com a Régua? São tese e antítese do mesmo labor vinícola. O Pinhão é o último elo da produção, ali estão as canseiras e os suores. E onde fica, como costume, a menor parte do valor gerado por este produto de exportação. Quanto à Régua, lá começa o outro ciclo, o tal ciclo que desagua em Gaia, o da apropriação da mercadoria e, pela fase mercantil, da maior parte do seu valor. Ora, falando-se do Pinhão, fala-se de vinho. Da Régua até à Foz, falar-se-á de dinheirinho. Minha cara th, sua-se até ao Pinhão, negoceia-se a partir da Régua. Está claro?
publicado por João Tunes às 13:11
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18 comentários:
De Lus Manuel Almeida a 23 de Novembro de 2005 às 12:44
Regionalismos à parte, só para dizer que esta discussão acaba por não fazer sentido. O Douro (e Douro é Régua e Pinhão e muitas outras aldeias, vilas e cidades) está mergulhado numa depressão social profunda. Ajuddará muito se todos se unirem para evitar esta descrepância com o resto do país e desenvolver de uma vez por todas esta região, que tanto precisa. Mais do que divisões é preciso união em prol de objectivos comuns, especificos e que se possam concretizar.
Se calhar este comentário vem fora de tempo, mas só agora dei com este blog e não podia deixar de participar.


De Werewolf a 14 de Abril de 2005 às 22:32
Ora nem mais, primeiro uma boa companhia e depois um bom vinho, as duas coisas juntas transformam-se em excelentes. Abraço


De Joo a 14 de Abril de 2005 às 11:48
Não foi essa a associação entre Marques Mendes e o bastardinho. Foi, apenas, por achar que ele era menos bastardo que o Menezes. Até porque até simpatizo com o homem (cá por coisas...). Voltando aos vinhos, obrigado pela informação. Mas sabes que nisto de vinhos, a última coisa que eu seria era enólogo (profissional ou amador). Meteria um lado maníaco de registo e coisa e tal, e metade do prazer ia pela garrafa abaixo. Porque eu gosto é de beber do que me sabe bem sem me prender com minúcias e coisa e tal. E, outro aspecto fundamental no beber, um vinho (não sendo zurrapa) sabe-me sempre melhor em boa companhia. Um bom vinho torna-se excelente com boa companhia. Um excelente vinho passa a razoável se bebido solitariamente ou em companhia que pouco diz. A última pessoa com quem gostaria de beber um copo seria com um enólogo, porque desconfiava da tendência dele em transformar um acto fraternal numa consulta de otorrinolaringologista dos vinhedos. Abraço.


De Werewolf a 13 de Abril de 2005 às 23:38
Bem João falamos em bastardinho e lá tinhamos que ir cair no Marques Mendes, só porque o homem é pequeno. eheheheh. Quanto ao tal Bastardinho (vinho) tirei a coisa a limpo com um dos meus irmãos, que é enólogo amador, e então o Bastardinho é um vinho tratado, da mesma forma que o vinho fino (para não ferir susceptibilidades), é de Azeitão, é raro e é caro. Vende-se em garrafas de 0,5 ou 0,35 l de rótulo vermelho (ah!), só é engarrafado quando tem 30 anos e é bastante caro, cada garrafa pode rondar os 50 euros. Claro que só o bebi e apreciei em casa do meu irmão, que para além de grande apreciador e conhecedor de vinhos cozinha bastante bem e é um grande apreciador dos prazeres da vida. E pronto aqui fica a explicação, pergunta por aí porque se vires mais barato o meu irmão compra. Aqui no Porto há pelo menos uma casa onde às vezes se encontra.
Quem diria que seria um portuense a dar a conhecer a um lisboeta/alentejado de adopção a existência do bastardinho. Prova que é excelente (então acompanhado de nozes...), não fica a dever nada ao nosso vinho tratado, só que a produção é muito limitada, porque a região que o produz é minúscula. Abraço


De th a 13 de Abril de 2005 às 22:23
Começamos com azulejos e já estamos nos vinhos...dos finos e pela similitude temos os Moscatel de Favaios e o de Setúbal, que se bebe em Azeitão (ou será mesmo de Azeitão? E onde estão as vinhas em Setúbal?). Mas um dos meus preferidos, se ainda existe, é o do Roncão (vinho do porto) em cuja encosta, perto de Vilarinho de Cotas, meus tios tinham uns vinhedos. Era engarrafado pela casa Borges. Devido à exposição ao Sol era muito qualificado. A encosta do Roncão dava uma uva gostosa e sumarenta que também era suspensa em cordas e seca, que mais tarde se transformava em "uva passa". Bom e agora vou à procura do Palácio de Crystal e da miniatura da locomotiva...IO, JT e Lobisomem...vós sois uns provocadores...lol e eu gosto! Beijos para todos



De Joo a 13 de Abril de 2005 às 19:46
Bastardinho? não conheço. Pelo nome, sugere-me mais o Marques Mendes que um vinho tratado. Mas esse é de Fafe. Pra aqui o que enobrece os pergaminhos é o moscatel. Mas a minha zona preferida anda ali por Arraiolos/Estremoz/Portalegre. Abraço.


De Werewolf a 13 de Abril de 2005 às 18:46
Pois eu não me importava nada de me apaixonar por uma Adolfa, desde que fosse interessante, embora provavelmente passasse a chamar-lhe outro nome, como gata, por exemplo, mas achei piada ao teu post e admito que era complicado...
Pronto eu cedo. Viva o Vinho! Bom de preferência, seja lá de onde for e tenha o nome que tiver.
por falar em vinho aí para os teus lados (Setúbal ou Azeitão) existe um vinho tratado muito bom, o bastardinho.


De Joo a 13 de Abril de 2005 às 15:14
Vinho fino, vinho tratado, vinho generoso, tudo bem. Bons e inspirados nomes. Embora o de tratado seja o mais rigoroso porque indica como é que o nectar sai (junção de aguardente vínica), não é mais romanticamnete sonante. Mas vinho fino e vinho generoso são termos lindos e poéticos. Quanto a vinho do porto, essa alcunha está a mais (porque não é inspiração, é expropriação). Pior que isso só port wine, por acrescentadas razões. E não me venhas dizer que o nome não interessa valendo apenas a qualidade material. Isso é materialismo de investidor bolsista. Eu, por exemplo, seria incapaz de me apaixonar por uma gaja que se chamasse Adolfa, dizendo-lhe "dá cá um beijo" e a seguir ir espreitar debaixo da cama para ver se lá estava uma gabardine da Gestapo! Coño, há limites para tudo!


De Werewolf a 13 de Abril de 2005 às 13:52
Claro que as coisas não estão separadas, ao falarmos delas é que damos a ideia que priveligiamos mais uma do que outras. E já agora: viva o vinho fino, o vinho tratado, o vinho generoso e o vinho do porto, independentemente do nome que lhe dermos, desde que seja de qualidade.
Em resumo: Viva o bom vinho seja ele de onde for, que eu cá não gosto de discriminações. Abraço.


De th a 13 de Abril de 2005 às 12:40
"Com fatias de bolo-rei e doces e amoráveis cálices de vinho fino das arribas xistosas do Alto Douro, dos socalcos de muita emigração rumo ao Brasil, África, «a salto» para Franças e Araganças." retirado do Diário de Notícias de Dezº de 2004. Penso que lhe chamavamos fino por ser, segundo a infopédia...vinho generoso de longa formação e duração que, com o tempo, vai apurando algumas das suas qualidades, como o que é conhecido por vinho do Porto;


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