Sábado, 9 de Abril de 2005

CINCO CIDADES E PICOS (1)

espanha 155.jpg

A viagem estava programada há muito. Constantemente adiada, por isto ou por aquilo, ela foi acumulando ansiedade. E, sabe-se, a ansiedade não é amiga do viajar. Porque arrasta desasossego que irrita a calma da fruição. A maneira a que deitei mão para acalmar a coisa foi, traçado o alvo em linha traçejada, deixar correr o marfim e dar-lhe marca de imprevisto, recusando informações prévias, referências sobre o que ver, onde comer e onde dormir, conselhos de amigos, pormenores de itinerário, enfim, aquelas minúcias com que se gosta de planificar os caminhos.

No esquadrinhar frequente por Espanha, a costa e interior asturiano-cantábrico ficavam sempre fora. Não dava mesmo jeito, depois de galgar o País Basco e a Catalunha, desviar o rumo com retorno por ali. Idem, quando se escarafunchava a calma verde da Galiza. E se o caminho era pelo sul e pelo levante, o que aconteceu na maioria dos casos, então nem pensar. Mas eu sabia, tão bem sabido que a tratava como sobremesa adiada, que, naquele norte-médio, estava uma das partes mais bonitas e mais fortes, sobretudo fortes, de Espanha. Assim se foi acumulando o projecto de descobrir as Astúrias sem dela querer ouvir falar nem revelar. Na tentativa, a puxar para o maníaco, de lá ir com os olhos desprevenidos.

Nesta Páscoa, a coisa compôs-se. E tão desprevenido consegui ir que, já lá, é que descobri esse nome desconchavado com que nomeiam o interior asturiano-cantábrico (Picos da Europa). Foi uma semana de descoberta de três cidades (Santander, Oviedo e Gijón) e a revisita de outras duas bem conhecidas (Bilbau e Vigo), com culto obrigatório a Guernika e o encher de olho (até deitar por fora) na beleza infinda dos tais Picos da Europa (há várias versões quanto à origem do nome, nenhuma delas devidamente certificada pelo rigor, mas acredito que o significado mais adequado seja o de querer designar a região como aquela que, na Europa e mais profundamente, a natureza se nos mostra).

(imagem do autor - uma vista dos Picos da Europa)
publicado por João Tunes às 22:31
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4 comentários:
De Joo a 12 de Abril de 2005 às 16:10
Fico à espera das impressões finais, cara th. Se necessário, a gata que ageunte...


De th a 10 de Abril de 2005 às 12:47
óh tanta coisa boa para ler, fotos de qualidade...depois de me passar a dor de cabeça, fazer a cama, lavar a loiça,preparar o almoço, tomar banho, vestir, pentear, vir do emprego, lanchar, lavar a loiça, dar de comer à gata,voltar do trabalho, fazer o jantar, lavar a loiça, voltar do emprego,preparar a ceia, cear, lavar a loiça (ufffa...)e finalmente poder sentar-me e entrar na net, prometo ler, senão tudo, pelo menos parte, o resto fica para amanhã!
Um abraço e bom Domingo! th


De Joo a 9 de Abril de 2005 às 23:31
Essa agora, ó Guida. As fotos podem não prestar mas as poucas que tirei aí estão e outras virão. Mas confesso que desta vez me poupei de fotografar para mais e melhor poder olhar... (passou-me a fase maníaca de tudo querer guardar na câmara, armado em japonês, agora prefiro não atrapalhar a mente no usufruto...) Para mais, não sou fotógrafo como tu, sou viajante amador.


De Guida Alves a 9 de Abril de 2005 às 23:01
Pois... Também terei que lá ir! E fotos, não há?


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