Quinta-feira, 17 de Março de 2005

RENDER DA GUARDA EM SÃO BENTO

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Está usado e gasto o espiche populista-direitista anti-políticos assente nas certezas estúpidas e igualitárias-colectivistas de sempre: são todos iguais, estão lá para o mesmo, querem é tacho e penacho. Ou, numa mais moderna e mediática versão - falam, falam e não os vejo a fazer nada. No fundo, apenas a velha nacionalização da preguiça ressentida quanto ao exercício da cidadania.

Mas o argumento ainda cola. Continua a colar. E o que me preocupa mais é que, nas bolsas onde os anti-políticos sobrevivem, normalmente termina-se com uma saudade mitificada de Salazar. Ou seja, domina o sentido protector do abrigo no mando único sobre o emaranhado dos atalhos. No fundo, muitos (demasiados) portugueses continuam órfãos da âncora autoritária desta simplificação que me indignou a juventude – Uma Nação / Um só Chefe / Quem manda? / Salazar! / Salazar! / Salazar! (cantilena que ouvi e debitei, vezes de mais, perfilado e fardado de lusito da Mocidade Portuguesa - à força -, com o braço e palma da mão estendida, e que só depois lhes descobri as semelhanças com as saudações juvenis encenadas perante Mussolini e Hitler). A maioria destes preguiçosos que atalham pela autoridade os caminhos da complexidade que os confunde não foram lusitos e aí têm o seu luminoso álibi – podem defender o não sofrido. Estúpidos serão mas desculpados estão.

Vêm estes desabafos a propósito da rendição da guarda na Assembleia da República. Acto simples e cheio de dignidade que enobrece a política. Mota Amaral (um homem com um largo trajecto parlamentar que vem desde que aquela – mas outra - Assembleia serviu o fascismo) introduziu na função de Presidente da AR uma vivacidade, humor, irreverência e dignidade lúdica no anti-formal, tornando a Assembleia num órgão a remar contra a sonolência chata dos rituais esgotados. Mereceu, por isso, ser saudado na despedida com apreços irrecusáveis. Jaime Gama, no seu típico ar de jacobino cristão, e sendo, como é, um Senhor da nossa vida democrática, é um símbolo também irrecusável de democracia adulta. Resumindo: uma nobre e estimulante passagem de testemunho.

Pelos vistos, os grupos parlamentares não quiseram ficar atrás da força da mudança hierárquica no topo dignatário. O PS promete com a troca do manga de alpaca Tó Zé Seguro pelo político elaborado Alberto Martins. O PCP promete, também, trocando o Bernardino pelo Soares e sem que isso afecte a fidelidade a Cuba e à Coreia do Norte (o que é obra). No lugar de Louçã, teremos Fazenda, mas Leon e Enver já cá não estão para caviar conflitos ideológicos entre si. No PSD e no CDS, logo se verá, mas há tempo de sobra para esperar que a direita se recomponha. E só faltaram os que não entraram.

Com as suas maleitas e infantilidades, a democracia segue em frente. E mais forte. Foi o que me pareceu.
publicado por João Tunes às 00:21
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