Quarta-feira, 9 de Março de 2005

MENTIRA À ESQUERDA?

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O amigo Werewolf não se cansa de repetir o paradigma de quase toda a esquerda que votou à esquerda do PS e que assenta no seguinte encadeado de raciocínios:

a) Não votaram PS para que o PS não tivesse maioria absoluta e porque o PS, com maioria absoluta, era certo e seguro que faria uma política de direita.
b) A esquerda fiel à esquerda estaria assim na esquerda do PS, investida numa função de vigilância e de garantia de autenticidade do produto made in Left.
c) A garantia da função de vigilância e de pureza da viragem política à esquerda estaria no poder de condicionamento que a esquerda à esquerda do PS teria sobre um PS prisioneiro dos votos parlamentares à sua esquerda.

Sabem-se os resultados eleitorais. Que deram num resultado para que o PS governe como PS. Ou seja, na previsão garantida da esquerda que votou à esquerda do PS, faça uma política de direita segundo os padrões estabelecidos pela esquerda-esquerda.

E, depois das eleições, o que diz o amigo Werewolf (que confessou publicamente ter votado no BE)? Lê-se:

”Nós, os que votamos maioritariamente na esquerda, seja ela qual for, exigimos que o novo Governo governe de facto à esquerda, sem demagogia, com responsabilidade e políticas realmente de esquerda, com uma orientação clara e com preocupações sociais.”
(...)
“os cidadãos exigiram nas últimas eleições uma alteração clara das práticas e políticas e não apenas uma simples mudança de Governo”


E, mais coisa menos coisa, oiço e leio do mesmo nos porta-vozes do PCP e do BE.

Em que ficamos? Os eleitores não foram mais que avisados que, com maioria absoluta do PS, íamos ter uma política de direita? Ou reconhecem que mentiram ao eleitorado durante a campanha eleitoral? E é de esquerda mentir aos eleitores?
publicado por João Tunes às 12:34
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4 comentários:
De Joo a 10 de Março de 2005 às 00:18
Agradeço-te, amigo Werewolf, o teu esclarecimento. A ideia foi essa - provocar-te para tu desenrolares o guardanapo. Ficou claríssimo e estou quase integralmente de acordo - deixá-los governar e malhar se e quando fôr caso disso. É esta atitude que separa a esquerda responsável da outra esquerda, a bota-abaixo. Abraço.


De Werewolf a 9 de Março de 2005 às 17:56
Viva João! É evidente que que não há votos de esquerda bons e votos de esquerda maus, mais nem sequer há votos maus, desde que votem todos eles são bons, de esquerda ou de direita. Tenho a certeza que o PS fará uma política de esquerda,da sua esquerda, menos condicionada do que se tivesses somente maioria relativa, até porque nesta situação escolheu sempre os aliados à direita. Assim e com a maioria absoluta, o PS fará a sua política de esquerda.
As palavras podem ser semelhantes às de outros críticos, mas não significa que se possa fazer uma colagem de ideias. Nunca me preocupou se o PS ganhava as eleições com ou sem maioria absoluta, o que me interessava era que a esquerda as ganhasse independentemente do PS obter, ou não, a famigerada maioria absoluta, até porque assim terá oportunidade de demonstrar se é ou não um partido de esquerda, sem unicidades, porque o pensamento é livre e as opiniões dividem-se. Há várias esquerdas e até há as que ficam melhor em minoria do que em maioria, como é o caso do BE e do PCP/CDU.
Não tenho qualquer preconceito em relação ao PS, neste momento este partido está em estado de graça, as suas práticas é que nos irão mostrar se merecem continuar a ter a confiança dos eleitores, ou não. Mas não ter preconceito não quer dizer que não critique, se achar que tenho motivos para o fazer. Para já só sei alguns nomes do futuro Governo, muitos não conheço, outros parecem-me mais à direita, mas é esperar para ver. A política não se faz com nomes, mas com práticas políticas. Vamos esperar para ver.
Acho que era necessário fazer-te eu meu pequeno esclarecimento para que não restem dúvidas quanto à minha posição. Como sempre um abraço amigo e cúmplice, meu caro João. Mário (Werewolf)


De Joo a 9 de Março de 2005 às 15:43
Pois sim. Estamos de acordo que há o direito das maiorias e o direito das minorias. O direito da maioria é merecer continuar a ser maioria, o direito da minoria é vir a ser maioria. Entretanto, a maioria que governe. Quanto aos eleitores, tenho um único critério: um eleitor, um voto. E não há eleitores bons e eleitores maus nem votos bons e votos maus. Há eleitores e votos. Mais um resultado. Mas, cara Isabella, sabes lá tu (que suponho não tenhas ido espreitar à cabine de voto) em quem é que os teus três conhecidos votaram! E os raciocínos dos votos são insondáveis - há um discurso íntimo de decisão e outro discurso exposto de justificação. E nem sempre um é igual ao outro. Também estou de acordo contigo na utilidade do papel da oposição dos que se querem situar à esquerda do PS - se fizerem oposição propositiva e credível, pagando assim, em responsabilidade, a recolha a seu favor da corrosão natural de quem exerce o poder. Afirmando-se como alternativas de outras soluções de esquerda (porque mal vai a esquerda quando tiver uma única solução para um problema). Mas sem autoridade mínima para exigir a quem obteve maioria absoluta que faça "as suas políticas" em nome de um eleitorado que, ao contrário dos seus desejos, estabeleceu uma maioria e uma minoria, livre das ataduras dos compromissos e das chantagens. E aquilo a que eu assisto (não é o teu caso, eu sei) é a minoria querer que a maioria faça a sua política. Isto, francamente, é apenas demagogia e na medida em que é uma inversão do discurso eleitoral. E se é péssimo esmagar ou diminuir o papel utilíssimo das minorias, pior ainda é não aceitar a derrota numa aposta que se fez e destruir o raciocínio próprio. Quando se passa assim, e assim está a passar-se, eu (que votei PS e para o PS ter maioria absoluta) só posso responder: cresçam e apareçam, até lá não tenham mais olhos que barriga. De mim para ti: um abraço da maioria à minoria. Mais um beijo de amizade.


De IO a 9 de Março de 2005 às 13:22
Eu cá votei BE e assino esta:
a) Não votaram PS para que o PS não tivesse maioria absoluta e porque o PS, com maioria absoluta, era certo e seguro que faria uma política de direita.
Os eleitores... quais?, tenho três conhecidos de direita que combinaram entre si votar pc, be e mrpp, não gramam o PSL, só isso.
Abraço,
uma que vive descansada e convencida que o pc e o be sempre serão (uteis) minorias.
quanto ao ps, sim, por escolhas, a nível mais baixo, que já começaram a ser feitas, vem aí alguma tralha guterrista (para não dizer milicista, que é o caso....).


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