Terça-feira, 24 de Maio de 2005

PUNKS AO BARULHO (1)

Cara Helena,

Primeiro, digo já que não lhe vou responder. Desde logo, por amuo derivado de Vc ter inventado uma desculpa esfarrapada para não nos trazer, em Outubro, um camião de salsichas a seguir (e perseguir) o prometido camião de cerveja. É que eu adoro salsichas. Sobretudo salsichas alemãs. Daquelas enormes que estalam no acto de mastigar como se fossem um balão sobe sobe. E gosto mais de salsichas que de cerveja, muito gostando do divino derivado do malte. Aliás, consigo comer salsichas sem beber cerveja mas já não consigo beber cerveja sem mastigar salsicha. Adiante.

Eu não sou punk. Porque não quero ser. Embora adorasse ser capaz de usar um penteado como os dos punks. Mera questão estética que não se mistura com a filosofia deles. Que até nem sei qual é. Mas, pelo que sei, estudando-os distraidamente porque concentrado na admiração dos seus penteados, eles serão uma tribo que se afirma a-social (não confundir com anti-social), marcando diferença de estilo e de conduta, representando um alheamento provocatório mas com um código de conduta não violento. Um verdadeiro punk só quer que se repare neles e por aí se ficam. Eles existem para exibir a diferença, agradecem o olhar de choque e vão às suas vidas. São, declaradamente, exibicionistas pacíficos. Não pintam graffiti. Uns adolescentes lúdicos na provocação.

E por aqui estava segunda boa razão para não lhe responder, reabrindo e consolidando amuo. Vc não só não traz salsichas como se vê que não gosta de punks. E eu adoro salsichas e gostava de me pentear como punk. E, segundo a pureza punk, profanou-lhe os atributos e comportamentos.

O que vc disse sobre os “3 punks” é uma generalização. Se os “3 selvagens” de Weimar se dizem punks ou se penteiam como punks, isso não envolve a tribo de que eles macaquearam pertença. As generalizações levam a isso mesmo. Um usurpador ser confundido com a pertença ao “grupo errado”.

Da mesma injustiça, talvez ainda mais infeliz, padece a sua referência aos “ciganos portugueses”. Outra generalização que talvez derive do facto de que quando temos (e há muitos, uns tempos atrás o Expresso trazia uma lista imensa de ciganos com destaque nas mais elevadas funções sociais) “ciganos de sucesso” (isto é gente de posição, prestígio e honrada na sua labuta) deixam de “ser ciganos” na referência. E o “cigano” fica agarrado a um comportamento marginal/desviante. Tal como ainda se diz, em Portugal, a uma criança que comete uma travessura: “não faças judiarias”.

Sobre a adesão da Turquia à UE, troco-lhe as voltas: nem tudo o que acontece na Alemanha desculpa ou subtrai o longo caminho a percorrer pelo regime turco e pela sociedade turca (por favor, repare que não falo em “turcos”).

Quanto aos “skin-heads”, aí o caso muda radicalmente de figura. Trata-se de terroristas em acção de permanente violência. Nesses, sem dó nem piedade. Contra eles, temos de nos defender. Como contra ETA ou IRA, Bin Laden & Companhia.

Não tenho nada a ver com os punks mas invejo-lhes o penteado. Não sou cigano mas são ciganos alguns dos melhores toureiros, bailarinos e bailarinas que me encantaram e encantam (e sou fan do Ricardo Quaresma, mesmo não lhe venerando a camiseta). Adoro salsichas. Acho que o regime e a sociedade turcas têm de dar ainda mais passos para cumprirem padrões aceitáveis de “pertença europeia”. Por atacado, aqui estão quatro boas razões para não replicar ao seu post. Embora já tenha passado a fase crítica do amuo, perdura a memória. Uma chatice, a memória. Mas negoceio o amuo, até a sua memória, se prometer reconsiderar quanto às salsichas. Negócio à vista?
publicado por João Tunes às 23:45
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1 comentário:
De Helena a 25 de Maio de 2005 às 08:47
João,
seguindo a sua ordem:
1. Já disse que usei o nome errado, já retirei o "punks" - embora seja esse o nome que dão a estes grupos na cidade onde moro. Foi precipitado, e já retirei. Fica a memória da falha, paciência - terei de viver com isso.
2. Quero continuar a falar sobre ciganos consigo e com pessoas como a Sara, porque tenho muito a aprender; penso que é preciso falar sobre eles (e com eles) em vez de fazer de conta que os problemas não existem.
3. Então não reparou logo que eu prometi Frankfurter em vez de Thüringer? Estava a falar de salsichas! Agora sei que gosta de Bockwurst, sai um carregamento de Bockwurst para Portugal. Foi um mal-entendido, nunca tive a intenção de lhe negar salsichas!
4. Estamos plenamente de acordo quanto à Turquia. Mais: acho positivo que se acene com a adesão a uma comunidade europeia (ou à união europeia?), desde que os países façam um determinado caminho. No fundo, foi assim que Portugal entrou na CEE. Se falei da Turquia, foi por me chatear o modo arrogante como se fala dos outros - como se nós já fôssemos perfeitos.

Negócio de salsichas? Nem pensar! Ofereço-lhas a troco de nada: nem havia razão para a parte do amuo derivado do mal-entendido, nem quero lavar a memória. Guarde-me como entender, seja como racista, idiota, ignorante, ou "a que daquela vez meteu água", ou até como "aquela que mete água mas depois reconsidera". Mas responda sempre, por favor, que a responder é que a gente se entende.


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