Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2005

COMENDADOR JÁ SOU

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O maldito batráquio obriga-me, volta e meia, a mudar de poiso. E tem na conta dos pecados a muita paciência gasta a lidá-lo. Mas meti-me em ideia ser capaz de domar o bicho e pô-lo dócil ao meu serviço de faladuras soltas com o nexo que lhe sobrar na míngua dele. Que, ao fim e ao cabo, é um contraditório que mania em querer esgotar a contradição até me tornar num conformado cidadão, coisa que almejo logo que a cidadania seja redundante porque a cidade está madura no trato com os cidadãos.

Vale a pena? Valerá. Para já, sim e ainda sobra uma ou outra comenda que vou pendurando ao peito. E se tenho dívida para com o talento, ao menos não me falte o respeito pelo agradecimento devido à simpatia e à condescendência pela forma como ocupo um espaço publicamente partilhado.

Pois há referências que são comendas. Pela categoria do outorgante. É o caso. Obrigado, caro Lutz.
publicado por João Tunes às 20:12
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O PÃO

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Convinha que cada um amassasse o seu próprio pão para não deixar ao belzebu a tarefa de ser ele a servir-nos, servindo-se no comércio das almas.

Nos meus desvarios utópicos, vejo como princípio de igualdade que cada um amassasse o pão que come e só a partir daí as desigualdades se espraiassem. Mas, na hora do pão, cada um comesse pelo seu mérito. Depois, só depois, viria a diferença pelo saber feito ter mais ou ter menos. Que me parece um bom lenitivo para que as diferenças não sejam, à partida, sempre, o ter armado em saber. E falando de pão e de igualdade, o pão alentejano não pode faltar à baila. É mérito de antiguidade e galões no ombro que aos alentejanos não se pode sacar fora.

Acordado de sonhos, sempre me misteriou o fazer o pão. Mas sempre me fiquei pelo deslumbramento mitológico e nunca daí avançando passo. E, urbanizado cedo, as padarias de esquina mataram-me o apetite de avançar mistério dentro. O tacto e o sabor do pão quente depositados em cima do balcão esgotam-me o sonho no deleite do apetite a saciar com moedas em conta.

Tirando a vida, nada na vida alguma vez está perdido para sempre. Como seja aprender a fazer pão. O nosso pão.

A partir de agora, acabam-se as desculpas. O Isodoro ensina-nos e a imagem do António Cunha completa o convite. Quem se atreve, então, a comer pão amassado por outro de quem não se sabe como meteu a mão na massa?
publicado por João Tunes às 18:31
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NO BLAIR SOUCE, PLEASE

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"O meu apelo vai para que as pessoas deixem de consumir molho
inglês enquanto não tivermos os resultados das análises aos produtos
apreendidos e retirados do mercado em Portugal, até porque o molho
inglês não é um produto de primeira necessidade", afirmou à Lusa
António Ramos, director-geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade
Alimentar.


Eu não sei se isto é conselho avisado ou primeiro sinal de resistência à anunciada tendência da Blairização da política portuguesa. Talvez um boicote de santanetes incrustados na Máquina Pública ou até poderá ser a primeira das performances bloquistas pós-eleitorais. Pelo sim ou pelo não, nada como Sócrates se prevenir. Será no molho inglês, a primeira das provas de resistência e de certificação esquerda-esquerda?
publicado por João Tunes às 16:06
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ZECA

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No sentimento de nostalgia de estar aqui, continuar aqui, não saber como sair daqui, a voz viva ao vivo do Zeca é a que mais falta me faz. Porque o Zeca dava essa imensa liberdade aos seus – ser livre, permitindo-nos liberdade. Zeca Afonso, um dos homens mais livres havidos nesta terra, nunca afogou ninguém com a sua liberdade. Ouvi-lo era como ouvir um irmão. Faz hoje anos que nos deixou como herança um pedaço de solidão. Felizmente, a sua voz não calou.
publicado por João Tunes às 12:16
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CABRERA INFANTE

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Perdeu-se um romancista. Também um exilado e um proscrito. Na sua Cuba, os seus livros fotocopiados trocam-se por géneros no mercado clandestino. Tinha a ambição de voltar a Cuba depois de Fidel se ir. Partiu primeiro que o ditador. Uma razão mais para acreditar que a história não é fanática da justiça.
publicado por João Tunes às 12:06
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MELO-ADIVINHA

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Nada difícil, mas mesmo assim fica aqui um teste à argúcia dos visitantes – qual foi o “comentador” que escreveu isto:

”Pode ser um texto emocional, raro no meu estilo, mas quero, publicamente, que não existam dúvidas sou amigo de Pedro Santana Lopes, e serei sempre, em qualquer circunstância da sua vida pessoal, política ou profissional. Ele, como não podia deixar de ser, vai abandonar a liderança do PSD, e fá-lo no momento certo, com a cabeça fria, e após a necessária reflexão pessoal, única, e em isolamento absoluto. Pedro, digam o que disserem dele, e dos quatro meses que governou Portugal, fez o melhor que sabia e podia, e ao fazê-lo sabia que corria o enorme risco, quase impossível de ultrapassar, como se viu, de inverter uma situação de profundo desgaste e desilusão do eleitorado, com o PSD e PP, pelos anos de governação anteriores. Eu sei que ele ponderou seriamente não aceitar a substituição sem eleições, mas isso impedia a ida de Durão Barroso para Bruxelas. Sei que por uma ou duas vezes percebeu que o esforço era inglório, e que queria pedir ao PR que convocasse eleições, e isso só enobreceu o seu carácter, capacidade de avaliação correcta da situação política, e um grande espírito de sacrifício. Pedro Santana Lopes, como PM, fez o seu melhor, e como qualquer outro PM, em apenas quatro meses, também cometeu erros, lapsos ou atrapalhações. E sei, finalmente, que teve o que não merecia, por parte do PR, e de uma série de figuras do PSD. Ele, como ninguém, sabia isso tudo, e para tudo estava preparado. Pedro tem 47 anos, e uma vida à frente, e na política, naturalmente. Ele não "morreu" politicamente, por muito que alguns o tenham desejado, mas assumiu a responsabilidade de uma maioria que estava ferida de morte, pela condução política e falta de transparência com o eleitorado, a partir de 2002. Santana limitou-se a apanhar os "cacos", e tentar virar, sem nunca esperar que lhe cortassem as pernas. Agora sai. E sai de cabeça erguida, dignamente, e com a certeza de que qualquer outro PM, nas mesmas circunstâncias, teria sido derrotado de uma forma mais trágica. O PSD não esquece nem atraiçoa. Eu sei que Pedro Santana Lopes regressará, quando o tempo disser.”
publicado por João Tunes às 11:38
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2005

SUCESSÃO

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Não podendo ser a Zita Seabra a suceder ao Santana quem é que preferias?
(perguntam-me)

Eu não sei, porque àquele clube desejo tanta sorte como a que almejo para o Sporting. Mas não deixo de pensar que a distância traz isenção. Como com o Sporting, em que sou capaz de ver melhor que eles o que separa o Pedro Barbosa do Custódio e achar que o Liedson seria um dos melhores pontas-de-lança do mundo se não fosse nadador e cumprisse os horários de trabalho. Mas até quanto à Zita, acho que há embirração a mais. A senhora mudou com o direito de mudar. E se mudou demais é porque estava mal demais no sítio onde esteve antes. E se há coisa que eu não entendo é como é que a um antigo maoísta (mesmo que fosse adorador do Pol Pot, o coleccionador de caveiras) todas as mudanças se perdoam mas a quem tresmalhe do rebanho do Cunhal fica com a sarna agarrada ao pelo. Enfim. Mas as coisas são como são. Se não pode ser a Zita, passemos à frente. Até porque, verdade seja dita, ela também não parece ter grande audiência entre os seus. Sendo assim, eu digo que preferia o Doutor Menezes (este sim, Doutor mesmo, porque o sujeito é médico). Porquê? Porque o acho parecido com o Santana. Para pior, mas parecido. É emotivo e, por norma, diz disparates. Enquanto Santana pensava pouco, este não pensa nada antes de falar. Onde um tinha o trunfo da intuição, o outro tem o dislate armado em emoção. E depois baralha tudo. Manda em Gaia, mete-se no Porto e candidata-se por Braga. É do Sporting, vai para a tribuna com o Pinto da Costa mas nota-se que gostava de ser do Boavista se este fosse campeão. Chora com mais facilidade que o Santana e, generoso, puxou da agenda e convocou para aí umas mil mulheres para Braga para darem colo ao Pedro. Dando um sinal ao mundo que, um e outro, eram pichas de aço (o da agenda mais o do colo). Também achei que o homem mostra um lado ladino e nada lorpa quando empurra o Mexia para a Câmara de Lisboa, está-se mesmo a ver, com um gajo oportunista, fura-vidas e vira-casacas como aquele quanto mais longe da porta melhor. E, vamos lá a ver se a gente se entende, eu não concordo nada com aqueles que andam para aí a dizer que o PSD é essencial para a democracia. Para a democracia, contam os que cá andam e com o peso que os eleitores lhes dão. O PSD é mais problema do Pacheco Pereira que problema da democracia. E se a democracia aguentou o Santana e o Portas, o que é que não aguenta? Até aguenta o Jerónimo e o Louçã, que devem gostar tanto da democracia como o Francisco gostava do Tchernenko e o Jerónimo do Enver Hoxa. Contradições no caminho para a redenção, está-se a ver. Nada que não se aguente porque a luta continua. Eles queriam e querem mais paródia que dar força ao barco, enquanto esta marmelada da luta de classes está em refluxo. Voltando ao PSD, eles que não se lembrem de meter lá o Marques Mendes. Não por causa da altura que falar nisso acho que é de mau gosto. Os homens não se medem aos palmos e, ao lado (ou em frente) do Vitorino, a pequenez não se lhe nota. Primeiro, não gostava de ter um benfiquista na oposição. Em segundo e mais importante, o sujeito é sensato e demonstra cultura democrática. O que só eram chatices. Chatice para o PS e chatice para o próprio PSD que, depois de Santana, tem direito à transição suave. Doutor Menezes, meus senhores, Doutor Menezes. Por favor.
publicado por João Tunes às 22:27
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COMPLEXOS DE ESQUERDA

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Palavra, eu votei no Sócrates ou lá como ele se chama. Isso mesmo. Votei no PS, sim. Foi uma mania que me deu. Meteu-se-me na cabeça que o País precisava de ser governado. O mais à esquerda que pudesse ser, mas sendo governado. E depois, mania atrai mania, queria que a coisa se governasse mesmo e então achei que a maioria absoluta fosse bom. Cheguei a pensar que estava maluco, porque a maior parte da malta da esquerda me dizia que o PS só é de esquerda se governar em liberdade condicional. A modos que com uma dessas pulseiras electrónicas que se metem no pulso e dão sinal de alarme quando se faz xixi fora do penico. E eu, crédulo até mais não, achava que se o PS contava para a maioria de esquerda no ir a votos também era de esquerda no dia a seguir às eleições. Mas eu devia ver, pelo que os outros da esquerda diziam, que não era assim, que o PS seria de esquerda quando fizesse a política e as vontades à sua esquerda, os da esquerda mesmo. Foi um voto contraditório, o meu. Um voto quase envergonhado. Com uma estranha sensação de estar a votar a pensar esquerda e, no dia seguinte, passar a fazer parte da direita pós-eleitoral. E que avisado fui. Das bandas do Bloco e do Jerónimo, bem se fartaram de me avisar. Que havia a esquerda boa e a esquerda má. E que a esquerda má quando não é controlada pela esquerda boa torna-se em direita que só será esquerda quando seguir a política da esquerda mesmo esquerda. E se a esquerda má tinha a vitória assegurada, a esquerda boa é que era precisa para tornar a esquerda má em boa. Com a esquerda má segura pela trela. Não dei ouvidos às muitas vozes avisadas e apanho com a maioria absoluta do Sócrates ou lá como ele se chama. Não fui à festa, não fiz festa. Porque me sinto em estado de esquerda culpada. Ajudei a tirar-lhe a pulseira electrónica do pulso da esquerda má, deixando-a à solta. E menos vigiada, a esquerda pouco esquerda não é esquerda nem é nada. E se não é esquerda, só pode ser direita. E assim, depois de tanto pensar que era de esquerda, vejo-me a pertencer à direita. Porque, no raio deste País, a maioria esmagadora é mesmo de direita. Confirmou-se. Tirando os 14% da esquerda mesmo esquerda, a direita é mais que imensa (só se distingue nas nuances de extrema-direita, direita e esquerda/direita). Esmagadora. Demasiada. Impedindo que este País guine à esquerda. A chatice toda é que não posso votar outra vez, ir lá rectificar o meu voto, limpando-me do ónus da maldita absoluta. Daqui por quatro anos falamos. Claro, se a luta de classes permitir que aguentemos mais quatro anos de direita. É isso, a luta de classes. Ao fim e ao cabo, a democracia burguesa vale o que vale. Valha-me a luta de classes para redimir o meu mau voto, a minha falha absoluta. Decididamente, quando se perde o jeito para a luta de classes, só se asneira no voto. Proletários e Radicais, Uni-vos! Eu estou convosco por penitência. Avé CGTP e Opus Gay, Altares da Esquerda.
publicado por João Tunes às 19:01
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