Quarta-feira, 2 de Março de 2005

FALANDO SOBRE MORCÕES

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Ele sabe que eu sei que Rochemback é um grande jogador. Como são Liedson, Hugo Viana, Carlos Martins e Custódio. E que outros andam por lá e também vão ser grandes jogadores. À mistura com outros tantos que não valem um caracol e mais um treinador que ainda vale menos que uma lesma. E que, com tão bons artistas, como equipa, aquilo é uma treta tremideira. Como acontece com o Benfica e com o FCP. E isso tudo junto é que dá interesse e emoção a este campeonato de pobres. Ou seja, uma disputa entre morcões. E assim, como não gosto de fancarias, o único interesse que me prende é saber se os morcões do Benfica são ou não campeões entre morcões. Porque, todos juntos, de morcões não passam.

Quanto à camiseta, agradeço a oferta. Mas, educadamente, dispenso-a. Não por demérito do artista (que o é e enche-me o olho, só lhe podendo agradecer por isso). Apenas porque, dando-se o caso de não usar pijama, se a vestisse iria parecer um morcão saído da cama.
publicado por João Tunes às 16:28
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A LAS CINCO DE LA TARDE (3)

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El Juli, madrileno nascido em 1982, é uma das jovens e cintilantes estrelas da fiesta. Com uma carreira fulgurante. Tomou alternativa quando ainda muito novo, em 1998, tendo como padrinho José Maria Manzanares e Ortega Cano como testemunha. Ele trouxe para a arte de tourear um novo fluxo de irreverência e de alegria na forma de decidir vida e morte ali mesmo, na arena.

É um dos toureiros espanhóis com mais carisma e que mais troféus colecciona. El Juli em praça, é praça cheia.
publicado por João Tunes às 00:58
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PAPA EM CINCO

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Um - No Barnabé (só podia ser).

Dois - A indignação do Lutz.

Três: O meu comentário ao Lutz:
Caro Lutz, sobre a publicidade que faz ao Barnabé, não comento. Porque navego longe dessa praia. Mas, pela consideração que lhe tenho, não posso deixar de comentar a sua tirada: "Relativamente à exibição, não vejo nenhuma razão para a sua queixa. Não precisa de assistir ao espectáculo, se não quiser. E relativamente a instrumentalização, ainda menos. Se é verdade que o Papa está a fazer com isso his point, devemos lembrar que está a fazê-lo com toda a legitimidade e em coerência total com aquilo que pregou e representou toda a sua vida. Daí, a última coisa de que pode ser acusado neste caso, é hipocrisia."
Mas como assim? Fazer zapping perante a mais velha ditadura da Europa? Não indignar perante a encenação da decrepitude de uma pessoa para contabilizar santidade de martírio a legitimar o próximo ditador do Vaticano que vai ocupar o cadeirão do papa polaco? Uma ditadura que alimenta o embuste de Fátima?
O barnabé Nuno foi de facto de mau gosto (e não vou perdoar ao Lutz ter-me levado a lê-lo). Sobretudo nos termos. Mas, mil vez pior que ele, e antes, foi a corja cardinalícia vaticanesca que expõe o sofrimento de um velho, sem pudor nem respeito. Aquilo é mera ostentação de poder, afirmando-o acima da contingência da vida. Ou seja, uma ditadura acima dos vivos, explorando sentimentos de desespero na luta da vida contra a morte como afirmação de domínio espiritual para com a fragilidade humana perante a dor e a velhice.
Só perdoo àqueles cardeais safados quando, por purgatório, os vir todos a escrever no Barnabé e a votarem no Louçã. Até lá, o Nuno do Barnabé é apenas um cardeal.
Abraço.


Quatro: Respondeu o Lutz:
Caro João, Um dos comentadores ao post em questão lembrou a semelhança das mortes lentas e públicas de outros ditadores, como as de Estaline ou Franco, e concluiu que isso seria próprio de ditaduras geriátricas. A comparação é irrefutável, mas penso que há algumas diferenças. Acredito mesmo que quem decidiu fazer da sua morte este "public statement" é o próprio Papa e que ele não é só um objecto duma encenação maquiavélica dos seus cardeais. E também penso que o espectáculo é genuíno, ou seja, é mesmo sobre o sofrimento e a morte, apesar de também querer capitalizar politicamente a sua "santidade". Não nutro, como o João deve calcular, nenhuma simpatia pela mais antiga ditadura de Europa, que é o Vaticano, e incomoda-me muito que até nas nossas democracias de hoje uma estrutura tão autoritária e antidemocrática como a Igreja Católica tem ainda tanto crédito. Mas em relação ao assunto do post do Barnabé, a exibição do sofrimento, este aspecto não me parece muito relevante.

Cinco: Insisto eu:
Caro Lutz, são insondáveis os mistérios dos bastidores das ditaduras. Pela contumácia, as vontades dos ditadores confundem-se com as da sua corte, por vezes com a da própria guarda pretoriana. Tendem para as irmandades perfeitas, não em solidariedade, menos ainda em fraternidade, mas em dinâmica de sobrevivência de domínio. A corte precisa do ditador para sobreviver, o ditador necessita da corte para o mesmo fim. Este sistema de vasos comunicantes em teimosias, que sabe não serem legítimas, gera a paranóia. Por vezes, muitas vezes, a esquizofrenia. Se derivares para o caso cubano, quem vai saber o que prevalece hoje entre as mentes canalhas e doentes de Fidel e de Raul (irá demorar décadas apurar, tentar apurar, se Raul foi o alter ego de Fidel ou vice-versa, ou seja, se Cuba foi dominada por Fidel com influência de Raul ou por Raul através de Fidel, embora se saiba, há muito, que houve a “impossibilidade” de o poder ter sido exercido de modo continuado e perverso através de Che ou de Cienfuegos, o último terá sido liquidado pelos seus, o primeiro foi mandado sacrificar-se para longe)? Certo é que o futuro da ditadura vaticanesca está nos cardeais, sobretudo entre os sucessórios. Tudo o que João Paulo II faça para santificar o trono é um valor de herança deixada à ditadura. São eles, os cardeais, os beneficiários deste exibicionismo de sacrifício, genuíno ou não. Porque o poder dos cardeais está na continuidade da ditadura. Assim, o próximo papa, quando se sentar no trono, vai-o encontrar já aquecido pela santidade do antecessor. Porque, meu caro, garanto que a história dos Bórgias não foi sonho meu. E quem tem capacidade de sondar o poder de influência e indução sobre um ser humanamente diminuído? Sei do que falo, não porque tenha acesso a gente de mando mas porque lido, em afectos, com velhos muito velhos e muito meus queridos e todos os dias tenho de treinar a contenção por respeito para não chantagear absolutamente nada a partir de um gesto de ternura que para mim não custa nada mas a eles lhes vale mais que oiro. Eu guio-me, em responsabilização, por uma lógica pragmática, que pode ser redutora, de analisar o quê interessa a quem. O amigo Lutz prefere iluminar a exposição do sacrifício papal através da identificação de uma vontade autónoma. Queira ou não, está a acender uma velinha em mais uma beatificação. Eu prefiro a análise política do fenómeno. Embora alinhasse com o Lutz se vislumbrasse que a seguir a João Paulo II, Vaticano passaria de ditadura a democracia. Não adivinhando isso nas estrelas, quando assisto ao filme penso em quem ele serve, continuando a servir. Assim, independentemente da vontade (até da bondade e das taras) de Woitjila, eu sei que os cardeais não dormem. E, hoje, o poder efectivo já é deles. Será com eles que devo pelejar, não por serem católicos mas por serem ditadores, respeitando o homem Woitjila na medida em que ele mo permitir. Abraço.
publicado por João Tunes às 00:25
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Terça-feira, 1 de Março de 2005

POR PIEDADE, DEIXEM O HOMEM EM PAZ

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Um ditador já é velho demais quando inicia a ditadura. Porque recorre à arte mais velha do mundo que é impor o seu mando a outros. E que me desculpem as senhoras da vida, o vosso ofício está longe de ser o mais antigo, ainda vocês não tinham descoberto a forma de ganharem os vossos honorários com as misérias masculinas e já havia ditadores em funções. Porque qualquer ditador faz o que há de mais simples, ancestral e primitivo no mundo e que é mandar pela força.

Os povos deviam, no estado adulto em que nos julgamos, ser poupados ao primarismo do mando bruto. Mas o ancestral é rijo como cornos. Custa a desfazer. Se custa.

O pior de uma ditadura é quando ela é servida por um ditador velho. Sobretudo quando envelheceu na arte de ser ditador. Di-lo quem sabe de meia vida a gramar um ditador longevo e, sempre, mais e mais teimoso. Tão teimoso que morreu estúpido e deixou herança de estupidez. E tão estúpido que nos quis ensinar a arte de obedecer. E ensinou, essa é que é essa. Pois, a estupidez também é antiga. E a ditadura é a arte da velhice.

Veja-se Fidel, cada vez mais ditador e mais paranóico. Mais velho, segundo a lei da vida. Serve-lhe o mito romântico para que a pena por ele substitua a repulsa, bem mais justa e necessária, pela inumanidade do medo dos cubanos. Mário Soares, um dia, chamou-lhe, nas fuças, “dinossauro”. Mas talvez se tenha esquecido do saudoso Zé Cardoso Pires e que Fidel, para a esquerda-mesmo-esquerda, era e é (como o homólogo lusitano) um dinossauro excelentíssimo. Intocável, em nome da rejeição do mafarrico Bush.

Os fins dos ditadores, como todos os seus actos, são encenados minuciosamente pelas suas cortes. Mesmo as suas respeitáveis decadências humanas. Há qualquer coisa de nefando e obsceno na forma como se castigam os ditadores com o prolongamento forçado da encenação do seu mando para além da capacidade física e intelectual para mandar o quer que seja. Ditadores moribundos, ou para lá caminhando, são sujeitos a grotescos jogos de resistência ao fim da vida. Na efémera mensagem de que são eternos. Foi assim com Salazar (a quem representaram a senilidade teatral de que ainda mandava quando Marcelo já despachava na sua vez); idem com Franco; o mesmo com Brejnev que, nos últimos anos, já tinha camaradas a sacudirem-lhe o braço para acenar encavalitado no mausoléu de Lenine. Agora, o ditador da mais velha ditadura (o Vaticano) não escapa à regra.

A ditadura é velha e sábia mas (por isso?) não tem nada de criativa. E é cruel, até para os próprios ditadores.
publicado por João Tunes às 16:51
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BLOGO-MINISTERIAR

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Um granjola do PS diz que se vai deixar de governar e ministeriar através da comunicação social. Logo apareceram candidatos a quererem transferir esta competência para a blogosfera. É o que se depreende da persistência com que o Blasfémias insiste em quase garantir que Vital Moreira vai ser o próximo Ministro da Saúde!

Ou trata-se apenas da evidência que, depois das eleições, a direita blogosférica anda com falta de assunto e ocupa-se agora da coscuvilhice politiqueira? (Valham-nos os excelentes textos do Gabriel Silva…)
publicado por João Tunes às 12:54
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A LAS CINCO DE LA TARDE (2)

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Enrique Ponce, toureiro valenciano (embora tenha evoluído profissionalmente em Jaén), é um daqueles que se afirma pela sua “arte clássica”. Uma espécie de mistura de serenidade sóbria, domínio da profundidade contida mas sábia dos movimentos desenhados de domínio e valentia que não entra no risco inútil. E vendo Ponce tourear até parece fácil, dada a naturalidade serena que ele imprime às suas faenas.

Nascido em 1971, estreou-se em 1988 e tomou alternativa em 1990, com Joselito como padrinho e Litri como testemunha. A alternativa foi confirmada nesse mesmo ano. Cartaz com Ponce é, em qualquer praça, um atractivo difícil de resistir. Sobretudo quando disputa com Joselito ou El Juli, os seus persistentes rivais, a glória das Cinco da Tarde.
publicado por João Tunes às 12:31
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LFM, o Penetrador

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Luís Filipe Menezes: "Tenho capacidade para penetrar em sectores que tradicionalmente não votam PSD"

Mas as mil mulheres que LFM juntou em Braga para darem colo a Santana Lopes, na campanha eleitoral, não estavam todas vestidas de laranja?
publicado por João Tunes às 11:52
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