Quinta-feira, 5 de Maio de 2005

PALAVRAS AFÓNICAS

urs.jpg

Por ingenuidade ou mundo a mais dentro dos olhos, tendência de alucinado se calhar, eu pensava que a voz se lia nas palavras. Mesmo quando escritas. Sobretudo quando escritas.

Afinal, não. Tive de dizer nome. Não consigo escrever com a minha voz metida dentro do embrulho das letras. Uma lástima. Vou passar a falar para o teclado. Ou mudar de telemóvel.
publicado por João Tunes às 11:50
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2005

SOBRE NINO VIEIRA

3017[1].jpg

O historiador e académico guineense Leopoldo Amado emitiu uma extensa apreciação sobre os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau e a controversa figura de Nino Vieira. Com amizade e consideração, facultou-me acesso ao seu interessantíssimo e sábio texto, o que muito me sensibilizou. Achei-o de partilha interessante para ajudar a moderar a tendência comum de elevar figuras públicas ora aos píncaros ou então arrastá-las pelo chão. Neste momento, por boas ou más razões, Nino Vieira voltou à ribalta. Com a devida autorização do Autor, aqui fica um excerto desse texto e que julgo do maior interesse para olharmos Nino Vieira através de um ângulo mais distanciado e mais completo, mais justo portanto. E não é para isso que existem os historiadores?

“Todos os problemas de instabilidade que a Guiné-Bissau enfrenta ou enfrentou no passado, decorrem paradoxalmente das inúmeras e emaranhadas contradições, de vária índole, acumuladas durante a luta de libertação, a qual, como se sabe, foi dos mais brilhantes movimentos de luta pela emancipação em África. Igualmente, no período subsequente à independência nacional, estas contradições, associadas às anteriores, continuaram a lavrar-se, a ponto de se transformarem no prolongamento natural das questões mal digeridas durante a luta de libertação.
A essas e outras contradições, somaram-se, após a independência, outras tantas que surgiam sempre em jeito de novos problemas, mas possuindo quase todos eles marcas profundas de um passado mal digerido ou simplesmente ignorados e mesmo recalcados, tal a força da ideologia da libertação, que exigia que tudo se aceitasse, em nome da unidade e do seu objectivo fulcral.
Às novas contradições passaram a justapor às anteriores, tudo concorrendo para que os gestores da coisa pública e do poder se tivessem perdido num mar de dúvidas, e se tenham mergulhado, eles próprios, num ambiente de generalizada desconfiança, onde tornou-se evidente a sua dificuldade em gerir situações adversas comportando igualmente sobreposições altamente inconvenientes. Numa só expressão, dir-se-ia que não estiveram à altura das suas responsabilidades, na medida em que optaram pela solução mais fácil, ou seja, proceder a afastamentos “in limine” dos seus opositores, isto é, quando não optaram simplesmente por manda-los fuzilar, sumariamente.
É evidente que a História recente da Guiné-Bissau tem os seus protagonistas e esses protagonistas têm um nome. Foram tantos, perfilando aí Amílcar, Aristides, Chico Té, Nino Vieira, Osvaldo Vieira, outros tantos, e até ilustres anónimos. Todos e cada um, durante a vigência da sua liderança, num momento espácio-temporal determinado, confeririam um cunho próprio às s suas acções. Dito de outra forma, geriram o processo com a utensilagem possível, segundo uma mundivisão própria, agindo e interagindo à sua maneira com vários outros factores objectivos e subjectivos que constituíam as matizes do processo.
Nino Vieira, protagonizou, grosso modo, uma das páginas mais brilhantes da História Militar do processo do nascimento da Guiné-Bissau como país, dando o exemplo para toda a juventude de como um simples e humilde cidadão pode, em plena luta de libertação, tornar-se num General “avant la lettre”, isto é, antes de o ter sido na realidade. Catapultado ao poder a 14 de Novembro de 1980, mais por força das contradições internas do PAIGC do que por vontade própria ou pelas razões do “reajustamento”, era reconhecido ao Nino Vieira, por este simples facto, toda a legitimidade que um líder poderia ambicionar. Ao carisma de grande guerrilheiro, somaram-se atributos outros, também aprendidos na luta - e faço aqui questão de frisar um -, porque virtuoso, mormente, a destreza que revelava possuir na difícil arte política de equilibrar e até sanar os vários focos de conflitos entre os guineenses, os quais, aliás, não eram senão o resultado da justaposição de velhas contradições e a manifestação ulterior das mesmas, através de um processo de prolongamento natural, onde é quase sempre possível descortinar ligações entre velhas e novas quezílias.
Esta foi, quiçá, a principal e a mais positiva referência de Nino Vieira enquanto estadista hábil, na medida em que, curiosamente, se exceptuarmos momentos em que argumentos étnicos foi por ele utilizado como arma de arremesso político, Nino até foi o Presidente guineense que mais estimulou e pôs em prática a ideia da unidade nacional, não olhando a expedientes repugnáveis como a pobreza, a ruralidade ou a pertença étnica ou ainda a pigmentação da pele para estabelecer critérios anatemáticos. Ilustram essa sua postura, por exemplo, a sua longa vivência com os balantas, a qual tornou-o, apesar de algumas nódoas negras (como por exemplo o fuzilamento de Paulo Correia e Viriato Pã), no estadista guineense que melhor soube equacionar e até gerir equilibradamente a avalanche de reivindicações várias, sobressaindo, entre estes, a mais difícil de gerir (a dos balantas), porque, entre outras explicações plausíveis, foram e são altamente ciosos da importância e do peso da sua participação na luta de libertação nacional.
Destacar-se-ia, eventualmente, outros atributos positivos de Nino Vieira como o sentido de oportunidade com que acautela o carisma e a legitimidade conquistadas, aspectos que inquestionavelmente reforçam, por seu intermédio, a confiança do/no Estado e suas instituições, não obstante ser-lhe também conhecido as imensas hesitações em que se deixa envolver, sobretudo quando urge tomar decisões importantes ou quando sobre essas decisões pesam acrescidas responsabilidades, o que frequentemente o torna altamente vulnerável e, por isso, muito influenciável relativamente a acção dos “lobbies” ou de fortes grupos de pressão, a quem acaba, em última instância, aliás, por “delegar” a competência de decisão, acentuando-lhe este factor, aqui e acolá, durante o seu consulado, as gritantes fraquezas que revelou em matéria de gestão da coisa pública.
Ora, foi justamente nesta matéria, na gestão da coisa pública, que se descortina um outro gritante défice de Nino Vieira: cioso da sua legitimidade e do seu carisma, fez tudo para os preservar. Mas, a um tempo, longo demais, revelou-se insensível e até incapaz de dar vazão as aspirações de modernização e desenvolvimento que, a um certo nível, até estiveram ao seu alcance, considerando as intermitências positivas que, num ou noutro contexto, a conjuntura internacional permitiam. Não que Nino não acreditasse na modernização ou no desenvolvimento, mas porque para ele era dado adquirido de que o segredo do sucesso apenas repousava no aumento da produção e produtividade agrícolas (foi, sintomática e curiosamente o Presidente que mais apelou nesse sentido) e que tudo e o resto, em matéria de desenvolvimento, vinha aos poucos. Faltou-lhe, nesta matéria, um pouco do entusiástico e até excessivo frenesim do seu antecessor, pelo que acabou, ele próprio, por ser engolido na teia de corrupção e laxismo engendrados com a sua cumplicidade activa e/ou silenciosa, conforme os casos, permitindo uma aberrante promiscuidade, praticada sobretudo pelos seus colaboradores mais próximos, estes últimos com fortes ligações aos sectores especulativos e parasitários da economia nacional, não lhe abrindo este opção senão perspectivas de um desenvolvimento pretensamente baseado na iniciativa privada, quando na realidade, toda a máquina administrativa e económica se assentava numa mescla onde era difícil o discernimento entre a pertença do Estado e dos indivíduos bajuladores e “idolatradores” do seu Chefe, aliás, como já se referiu, teia essa em que o próprio Nino Vieira se enterrou até à garganta e, com ele, as legítimas aspirações do país e das populações.”


(na imagem, Nino Vieira e Amilcar Cabral durante a luta de libertação da Guiné-Bissau)
publicado por João Tunes às 18:16
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OREMOS...

Floue10[1].jpg

" Benditos, Malditos "
(Letra y Música: Joaquín Sabina)

Benditas sean las raras excepciones,
los moratones de los vulnerables,
los labios que aprovechan los rincones,
más olvidados, más inolvidables,
benditos sean, benditos sean.
Los santos milagrosos, los gordos cariñosos,
los locos que se creen Napoleones,
las pálidas lesbianas, los dulces maricones,
los mocos de la gente con ventanas,
los tuertos que no quieren ver visiones,
los muertos que se mueren con las ganas.

Benditos sean los ceros a la izquierda,
los que nacieron en ningún lugar,
los de viva Zapata manque pierda,
las damas que se llaman Soledad,
El sable del sablista, la caries del dentista,
los buenos aires, los malos maridos,
las drogas veniales, la sopa del cocido,
los listos que parecen subnormales,
los que pudieron ser y no han querido,
los descendientes de los animales.

Malditos sean los justos, los sumisos,
los que tiran penaltis de cabeza,
los que para mear piden permiso,
los súbditos del dios de la certeza,
los que adornan las notas de sus hijos,
los probos ciudadanos, los niñatos,
los que follan con red y a plazo fijo,
los canallas que nunca han roto un plato.

Maldita sea la voz de la experiencia
que casi se equivoca a media suma,
la pipa de la paz con la conciencia,
los “oiga, que en mi taxi no se fuma”,
los que se mojan poco cuando llueve,
los que sonríen en las fotografías,
los que progresan porque no se mueven,
los de la escandalosa mayoría,
malditos sean, malditos sean.

Benditos sean las rubias calentonas
que se emocionan por pasar el rato,
los tímidos que salen respondonas,
la mancha en la bragueta del beato,
benditos sean, benditos sean
los farias con saliva, los gallos de las divas,
los callos de las piernas de las cojas,
las amapolas rojas, la abuela en San Fermines,
los récords que no salen en los Guiness,
los cínicos que lloran en los cines,
los trévoles de tres o cuatro hojas,
las enfermeras que suben la fiebre,
las tetas de pezón hospitalario,
los gatos de no dan gato por liebre,
los misterios gozosos del rosario,
la novia del torero, los bronquios del torero,
los tristes que se rien de la tristeza,
los ricos sin dinero, los vagos con peraza,
los últimos que llegan los primeros,
los calvos que se quitan el sombrero
ante la dignidad y la belleza.

Malditos sean los tontos con medallas,
los hijos de mamita, los chivatos,
los candidatos (cierra la muralla),
la letra pequeñita del contrato,
los alcahuetes del polvote ajeno,
la diabetes, el sida, los viejos,
los sorbetes de bilis con venero,
los que aplauden al príncipe de hinojos,
los cuentos de las cuentas al contado
los tipos de interés, los finiquitos,
los que jubilan a los jubilados,
los talibanes del último grito,
los que se pasan nunca de la ralla,
los mamporreos de la simetría,
los que exhiben el móvil en la playa,
los que hacen trato con la policía,
malditos sean, malditos sean.

Obrigado,
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<img alt="Floue10[1].jpg" src="http://agualisa2.blogs.sapo.pt/arquivo/Floue10[1].jpg" width="389" height="247" border="0" /><br><br><b>" Benditos, Malditos "</b><br>(Letra y Música: Joaquín Sabina)<br><bR>Benditas sean las raras excepciones,<br>los moratones de los vulnerables,<br>los labios que aprovechan los rincones,<br>más olvidados, más inolvidables,<br>benditos sean, benditos sean.<br>Los santos milagrosos, los gordos cariñosos,<br>los locos que se creen Napoleones,<br>las pálidas lesbianas, los dulces maricones,<br>los mocos de la gente con ventanas,<br>los tuertos que no quieren ver visiones,<br>los muertos que se mueren con las ganas.<br><br>Benditos sean los ceros a la izquierda,<br>los que nacieron en ningún lugar,<br>los de viva Zapata manque pierda,<br>las damas que se llaman Soledad,<br>El sable del sablista, la caries del dentista,<br>los buenos aires, los malos maridos,<br>las drogas veniales, la sopa del cocido,<br>los listos que parecen subnormales,<br>los que pudieron ser y no han querido,<br>los descendientes de los animales.<br><br>Malditos sean los justos, los sumisos,<br>los que tiran penaltis de cabeza,<br>los que para mear piden permiso,<br>los súbditos del dios de la certeza,<br>los que adornan las notas de sus hijos,<br>los probos ciudadanos, los niñatos,<br>los que follan con red y a plazo fijo,<br>los canallas que nunca han roto un plato.<br><br>Maldita sea la voz de la experiencia<br>que casi se equivoca a media suma,<br>la pipa de la paz con la conciencia,<br>los “oiga, que en mi taxi no se fuma”,<br>los que se mojan poco cuando llueve,<br>los que sonríen en las fotografías,<br>los que progresan porque no se mueven,<br>los de la escandalosa mayoría,<br>malditos sean, malditos sean.<br><br>Benditos sean las rubias calentonas<br>que se emocionan por pasar el rato,<br>los tímidos que salen respondonas,<br>la mancha en la bragueta del beato,<br>benditos sean, benditos sean<br>los farias con saliva, los gallos de las divas,<br>los callos de las piernas de las cojas,<br>las amapolas rojas, la abuela en San Fermines,<br>los récords que no salen en los Guiness,<br>los cínicos que lloran en los cines,<br>los trévoles de tres o cuatro hojas,<br>las enfermeras que suben la fiebre,<br>las tetas de pezón hospitalario,<br>los gatos de no dan gato por liebre,<br>los misterios gozosos del rosario,<br>la novia del torero, los bronquios del torero,<br>los tristes que se rien de la tristeza,<br>los ricos sin dinero, los vagos con peraza,<br>los últimos que llegan los primeros,<br>los calvos que se quitan el sombrero<br>ante la dignidad y la belleza.<br><br>Malditos sean los tontos con medallas,<br>los hijos de mamita, los chivatos,<br>los candidatos (cierra la muralla),<br>la letra pequeñita del contrato,<br>los alcahuetes del polvote ajeno,<br>la diabetes, el sida, los viejos,<br>los sorbetes de bilis con venero,<br>los que aplauden al príncipe de hinojos,<br>los cuentos de las cuentas al contado<br>los tipos de interés, los finiquitos,<br>los que jubilan a los jubilados,<br>los talibanes del último grito,<br>los que se pasan nunca de la ralla,<br>los mamporreos de la simetría,<br>los que exhiben el móvil en la playa,<br>los que hacen trato con la policía,<br>malditos sean, malditos sean.<br><br><b>Obrigado, <a ref.= http://www.sintragare.weblog.com.pt/>compañero Pedro</a>. E benditos sejam - tu e Joaquín.</b>
publicado por João Tunes às 16:28
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Terça-feira, 3 de Maio de 2005

MANEL, O ANARCO-SINDICALISTA

manel.jpg

Diálogo, há trinta e um anos atrás, entre a (2 anos) e o Manel (1 ano, o da foto) em casa politizada (e sindicalizada):

Bá: - Manel, de que partido és tu?
Manel: - Eu não xou de patido nenhum, xou xó do xinicato!...


Tirado daqui.

Fica-me a dúvida – algum dos progenitores explicou ao Manel, citando-lhe Lenine mais Trotski, para dar todos os cambiantes do tema, que, mais coisa e menos coisa, o Partido é o Guia e o Sindicato a Ferramenta?
publicado por João Tunes às 17:48
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DOS PESOS E DAS MEDIDAS

Imagens antigas 061.jpg

Tem-me cheirado a patrioteirismo a onda de “solidariedade” e “preocupação” com o cidadão Ivo que foi apanhado a transgredir as leis do País onde, voluntariamente, arribou. É das regras que, em qualquer País, as suas leis obrigam os que de lá são e lá estão, os que para lá vão e os que por lá passam. Mesmo a lei mais absurda ou mais ridícula. O menos viajado sabe-o. A solução para contornar o facto de haver países com leis estúpidas, está em que, se não se lhes aceitam as leis, não se visitam. Ivo visitou, violou a Lei (confessou-o), deve responder por isso. Porque, no caso, apenas temos uma questão de soberania. Que se não questiono no meu País não o posso fazer com os outros.

Depois, além do patrioteirismo, cheira-me que a “onda pró-Ivo” tem um charme indiscreto de selectividade social e de status. Afinal, terá sido só um charro, o tipo é artista, coisa e tal . E eu leio, numa notícia ao lado, que os casos de escravatura nas vindimas espanholas, muitas vezes usando deficientes, não merecem a mesma net-solidariedade. Cada qual com suas escolhas e suas prioridades. No caso do martírio do Ivo, até onde vai o meu pugnar é que lhe seja assegurado advogado com mérito para o defender e um julgamento justo. Nos casos de escravatura, a indignação não pode parar até meter-se termo a esta vergonha que tanto nos envergonha.
publicado por João Tunes às 16:54
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SOBRE O ABORTO E A OFENSIVA CATOLICISTA

Imagens antigas 028.jpg

Ler aqui.
publicado por João Tunes às 16:23
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LEMBRANDO

Imagens antigas 013.jpg

“O Truca Truca”

Já que o coito - diz Morgado-
Tem como fim cristalino,
Preciso e imaculado
Fazer menina ou menino;
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca,
Temos na procriação
Prova de que houve truca- truca.
Sendo pai de um só rebento,
Lógica é a conclusão
De que viril instrumento
Só usou – parca ração! - Uma vez.
E se a função
Faz o órgão – diz o ditado –
Consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado.

Natália Correia
publicado por João Tunes às 16:17
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SLIDE

slide.jpg

Tenho correio atrasado. Abraços para abraçar. Muito celebrar adiado para gente viva de vida merecida. Passaram datas que marcam sem as comemorar nem sequer riscar do calendário. Gentilezas por agradecer. Não falando de uma ponte que se partiu e se reconstruiu com tijolos saídos da fundição do cansaço da talvez última guerra da temperança do crescer. Entre tantos telefonemas na agenda das urgências só um consegui fazer e fiquei logo cansado de falar. E os livros para ler? As notícias para comparar? E o aniversário oitentão do patriarca a que não posso faltar? E o neto de cinco anos quase a fazer? E o post para alinhavar? Em faltas tantas, até estou em falta com assinatura requerida para ajudar um despassarado que foi dar passas num Emirato em vez de se oferecer como voluntário no Centro de Dia da sua freguesia que lhe daria agora, em vez de desgosto, a amizade dos vizinhos velhotes com conversa em atraso.

Não adormeci. Nem fugi cá não estando. Estou não estando, é isso. Não estou cansado mas vivo para viver. Embora atrasado. Sempre atrasado. Na estupidez egoísta da mania de acumular atrasos em cima de atrasos como se a vida fosse uma estante.

Mas, queiram ou não, estou desculpado. Tanto que nem precisam de me desculpar. Faço-me isso por atacado. É que não é todos os dias que a vida nos pára à volta e só temos olhos para dois olhos. E cabelos onde só as nossas mãos sabem o caminho de passear. E uma vida em mistura, onde tudo, tudo, num instante, resolveu recomeçar. Não escolhemos o momento em que tudo que nos dá moldura se torna difuso e ligeiro nos traços. E nos alucinamos no vital, no único, numa bebedeira do exclusivo. Sem direito a plateia ou mesa de convívio. Porque, aqui e então, o vinho não se serve nem se bebe, corre veias abaixo, veias acima. Só. Tanto. Sabendo sempre a pouco. Em que qualquer terceiro, estimado até mais não, não tem cadeira para sentar.

Não estou em falta com ninguém. O tempo é que parou. Tarda nada, uma hora destas, vou dar corda ao relógio.
publicado por João Tunes às 13:17
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Domingo, 1 de Maio de 2005

VALE A PENA VIVER ASSIM?

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Este acabar de semana foi do caraças. Intenso, antes do mais. Depois, vieram males que deram em belezas. Estou zonzo mas feliz, tranquilo pelo menos. É que aprendi tanto sobre a vida. E as forças vão-me faltando para segurar tanta vida em turbilhão com as mãos a imitar concha.

Pensei acabar tudo com uma valente borracheira. Erguendo copos à vitalidade da vida. O fígado avisou-me da iminência da asneira e eu travei.

Depois, disse-me: vou-me ao blogue e esborracho já o gajo contra a parede. Senti-me mal no ímpeto de resolver as coisas com um murro virtual. Travei de novo.

Quis-me drogar. É isso, pensei, só a droga, a mais dura de todas, a mais alucinante, me pode desforrar e, ao mesmo tempo, comemorar-me. Não travei. Atirei-me de cabeça, abri as veias. Faltou-me a droga. A droga que queria e precisava, a minha droga. E eu estou quase noutra semana e derreado, zonzo. Tudo porque o Mantorras não marcou!
publicado por João Tunes às 19:05
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