Domingo, 29 de Maio de 2005

SEM ESPINHAS

FootballLogo624[1].jpg

Os salmonetes, com todo o mérito, mereceram a Taça. Como se impõe no saber perder para se ter direito a vencer, parabéns ao Vitória de Setúbal.
publicado por João Tunes às 20:30
link | comentar | ver comentários (2) | favorito

UM ADEPTO FATELA DA DOBRADINHA

mdf565418[1].jpg

(repare-se nos dedos cheios de anéis...)

Adenda (pós-Taça): Eu não disse que simular carícia ou provocação de desejo com os dedos cheios de anéis era fatela? Misturar desejo com sinais de poder e de riqueza é a coisa mais anti-erótica deste mundo. Porque substituir o prazer infinito a que se chega ao céu na cumplicidade gostosa, trocando-a pela vã glória luzidia de mandar (mesmo que a escrava sorria e goste de ser mandada) resulta, irremediavelmente, no beco sem saída de uma punheta (a solo ou com companhia). O fatela lixou-se e … lixou-me.
publicado por João Tunes às 12:25
link | comentar | ver comentários (5) | favorito
Sábado, 28 de Maio de 2005

KUMBA PENSANDO AS MULHERES

KumbaIala02[1].jpg

"A BELEZA DA MULHER AFRICANA É APENAS COMPARAVÉL AO CABRÃO DO MACACO DA INDOCHINA"

(do “Livro de Pensamentos” do Represidente da Guiné-Bissau Kumba Ialá)
publicado por João Tunes às 00:44
link | comentar | ver comentários (4) | favorito

OUTRA VEZ EM ESTÁGIO NUM PAÍS A VERMELHO

verm.jpg

Os daltónicos não sabem o que perdem. Ou o que ganham. A maré vermelha promete não parar e, quiçá, ameaça desembocar em novo maremoto benfiquista neste próximo fim-de-semana. Este País parece que gostou de se vestir de vermelho. Que fazer? Aguentar firme, surfando na onda ou deixando-a passar porque não há onda que não se canse.

Sinceramente, a coisa assusta. São (somos) muitos. Demais. E esta sensação imperial arrepia-me. Começo a não gostar. Deixem lá, está quase a passar. Para o ano, o caso muda de figura e outras cores enfeitarão as ruas. Oxalá que não. Ai a volúpia de gostar de vencer…
publicado por João Tunes às 00:09
link | comentar | favorito
Sexta-feira, 27 de Maio de 2005

SOBRE O MITO DE SITA VALLES

expresso[1].jpg

Quase todos os meus amigos e minhas amigas que frequentavam a Universidade quando do 25 de Abril de 1974 e militaram na UEC (União dos Estudantes Comunistas, PCP), não escondem o fascínio de culto pela Nº 2 da Organização - Sita Valles (na hierarquia, logo a seguir a Zita Seabra). Todos eles e elas me transmitem uma ideia, quase lenda, de uma jovem muito bonita e sensual, arrebatadora, de um poder imenso de palavra e de capacidade de organização e de luta, de alguém que parece ter nascido para a Revolução e para mudar o mundo. Uma espécie de mulher messiânica.

Sita Valles voltou, em 1975, para Angola para fazer a revolução na sua terra de nascimento. Talvez pensando que quanto mais fogo pegasse, o socialismo chegaria mais depressa e em estado mais genuíno. Foi uma das vítimas do 27 de Maio de 1977. Nunca mais foi vista. Supõe-se que tenha sido fuzilada embora a lenda ainda acenda a vela da esperança que ela andará algures a fazer a revolução.

Se Sita já era lendária quando da UEC, mais assim ficou na memória dos que a conheceram e, com ela, na fase dos ardores juvenis, quiseram virar o mundo do avesso.

Sobre Sita Valles, recomendo a releitura do excelente artigo que Felícia Cabrita lhe dedicou no semanário Expresso de 25/1/1992.
publicado por João Tunes às 17:43
link | comentar | ver comentários (1) | favorito

UMA EFEMÉRIDE DE CHAGA ABERTA

nito_2[1].jpg

Como bem diz o WR, 27 DE MAIO DE 1977 é um dia macabro da história recente de Angola.

Hoje, visto à distância - e a história não pode desandar a sua roda -, sobra, sobretudo, a indignação que não pode calar-se perante o querer esquecer a memória desse monstruoso banho de sangue que atirou dezenas de milhares de angolanos para a marginalização, o desaparecimento ou, a maioria, para a vala comum. E nenhum dos chacinados, social ou fisicamente, teve direito a outro julgamento e processo de culpa que o ódio das barricadas. Nem à reabilitação que lhes compete. E às famílias dos fuzilados continua-se a negar a identificação e recolha dos corpos dos seus e o direito mínimo a dar-lhes uma sepultura para dirigir-lhes lágrimas particulares, íntimas, de afecto no luto.

O ódio fraticida, talvez o pior dos ódios, encharcou Angola de muito sangue e muita dor no período de dois anos de ressaca cruel da “insurreição nitista”. Não tenho qualquer ilusão que, se a fracção de Nito Alves & Cª tivesse saído vitoriosa em 1977, a orgia sectária e vampiresca teria outros fuziladores e seriam outros os fuzilados, sendo parente bem próximo, ou pior, na cegueira do ajuste de contas. Mas um fuzilado insepulto é sempre uma vergonha, seja castanho ou vermelho. E, no caso, eles, como costume, pertencem aos “vencidos” (os “nitistas” ou como tal considerados). Os perdedores, numa luta de mata ou morre, são sempre as vítimas. E só perante as vítimas nos podemos vergar em respeito e exigir, em seu nome, o respeito merecido. Quanto aos vencedores, esses ficam com o poder e que lhes baste o proveito, sem direito, nunca, a exercê-lo com ignomínia perante os vencidos e a exigir-nos, perante a História, amnésia para adormecer consciências.

Os acontecimentos de Maio de 1977 foram, parece-me, um caso de cegueira ideológica ao nível do pior que o marxismo-leninismo pode levar – a via de destruição dos “diferentes”, embora irmãos sob a mesma bandeira. Com a tragédia acrescentada de o “campo de apoio do internacionalismo proletário” estar nos dois lados da barricada – soviéticos e PCP ao lado da insurreição; cubanos ao lado de Agostinho Neto. A presença e poder de fogo dos cubanos, no terreno e sem dar tempo a que Fidel se entendesse com Brejnev, salvou Neto e a sua facção do MPLA. De nada valeram os militares e as massas mobilizadas e fanatizadas pelas quimeras irredentistas pelos candidatos a bolcheviques angolanos – os puros e os duros.

Dou razão ao WR quando diz da Angola saída da vitória do marxismo-leninismo de Agostinho Neto sobre o marxismo-leninismo de Nito Alves: “ um país com singulares condições para ser um país próspero, naquele contexto geo-político, se transformou naquilo que hoje é do conhecimento geral: um território devastado pela guerra, pelo caos, pela mais extrema das misérias, a par da opulência insultuosa da riqueza de um punhado de déspotas e oportunistas.”

Mas que me permita este companheiro que lhe diga que eu penso que, com a eventual vitória do radicalismo de Nito Alves & Cª, Angola só podia, hoje, estar ainda pior, provavelmente nem sequer existiria como País Independente. É que, embora muitas vezes se resista a esta ideia, o Pior é sempre Possível. E pode estar do lado dos vencidos varridos do poder e sem darem provas provadas de como iriam exercer o poder. Fico-me pela convicção que mais marxismo-leninismo só poderia resultar em pior marxismo-leninismo.

Para mais dados e opiniões sobre a efeméride, pode consultar aqui.
publicado por João Tunes às 16:55
link | comentar | favorito

SEMELHANÇA?

capt.sge.sww83.260505203921.photo00.photo.default-270x387[1].jpg

Eu sei que o olhar não é tudo. Julgo que é importante mas não digo que seja o mais importante. Há mais para além do olhar, sobretudo dentro do olhar.

Olhando para esta imagem, penso: mudando o símbolo venerado como confirmação de fé, há ou não semelhanças entre este sujeito e um nosso político vivo mas retirado (supõe-se...)?

Se alguém concordar, ajude-me a identificá-lo. Ando com falta de memória, reduzida a uma vaga ideia. E, quanto a heresias, já levo a conta alambazada para as minhas posses.
publicado por João Tunes às 15:45
link | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quinta-feira, 26 de Maio de 2005

PARA QUANDO O PEDIDO DE PERDÃO PELO “NACIONAL-CATOLICISMO”?

obispo--santiago-franco.jpg

O “nacional-catolicismo” (a aliança entre o clericalismo e as variantes de fascismos europeus) foi das piores pestes na história do Século XX. Juntou o pior da tradição da Igreja Católica, em que os “vermelhos” ocuparam os lugares de recusa ainda quentes dos judeus, na vontade e poder de conservação de privilégios (os seus e os das esmolas gordas) e de domínio sobre as almas dos desvalidos, recusando cultura, justiça e democracia. Muitas páginas faltam no fazer história do Século XX que mostrem a vergonha da forma como a Igreja Católica passou ao lado, ou se aliou, com a violência pagã, animalesca e de ódio profundo com que os pagãos fascistas se alcandoraram e conservaram os seus poderes totalitários. Foi assim na Croácia, na Hungria, na Polónia e na Roménia, nas ditaduras fascistas aliadas ao nazismo. Foi assim na França de Petain. Mais duradouramente, foram os casos de Portugal e Espanha. A Igreja já havia baqueado e levantado o braço com Hitler e com Mussolini. Depois, deu o colorido ideológico do princípio de “cruzada” aos fascismos, sobretudo às versões mais persistentes e consolidadas das pátrias peninsulares. Com maior denodo e descaramento no caso espanhol, perfilando-se num dos lados do ferro e do sangue, a que ajudaram ao paganismo do ódio, da intolerância, da capacidade de perdoar, concedendo a Franco e aos fascistas espanhóis o direito à profanação pelo uso do crucifixo e do terço.

Claro que cada momento histórico tem a sua data e as suas explicações. No caso espanhol, esquerdistas (sobretudo anarquistas) descarregaram ódios, sevícias e martírios sobre os clérigos e freiras. Foi um ódio repugnante para o qual não desculpam os muitos séculos em que a Igreja esteve ao lado da opressão e do obscurantismo castelhanos. Mas também as suas penas, mesmo os martírios, não podem desculpar a forma violenta, sanguinária e manchada de ódio com que a Igreja abençoou Franco e a matança na sua vingança, acompanhando o regime, abençoando-o, até ao fim do ditador.

No último papado, foram beatificados e beatificadas à molhada, padres e freiras que penaram à mão dos esquerdistas ímpios. Mais que um gesto de reparação de justiça, João Paulo II, pela parcialidade demonstrada (não foi beatificado um único dos muitos sacerdotes bascos fuzilados por Franco porque defenderam o seu País e o seu Povo), prolongou, quis prolongar, o selo de “Cruzada” atribuída a Franco e ao nazi-fascismo que o apoiou e lhe ganhou a guerra.

Falta agora que o Papa, a Igreja Católica através dele, peça desculpa aos espanhóis chacinados, excluídos, aprisionados, perseguidos e ostracizados, porque defenderam o seu regime legal e constitucional contra um golpe militar, a democracia contra o fascismo, a república contra o domínio dos señoritos e marqueses, preferindo os curas um regime de ódio e vingança que a Igreja apoiou, abençoou e a ele serviu, servindo-se, levando o poder das sotainas até ao obsceno (durante décadas, após a guerra terminar, para quem procurasse um emprego era pedida informação ao pároco da sua residência sobre o seu comportamento cívico, moral e religioso). E que maior simbolismo podia haver, como pedido de perdão, que abandonar esse monumento ímpio e monstruoso chamado Vale dos Caídos, uma vergonha para a humanidade, caducando-lhe a categoria de “Basílica” que João XXIII lhe atribuiu, mandando que os monges beneditinos que lhe fazem guarda e missas se mudem para um lugar decente e de fé, revogando a benção católica a esse monumento à eternidade do ódio e da vingança, permitindo que as urzes, o rosmaninho e as estevas apaguem, com o passar dos anos, essa megalomania satânica de preito à vergonha do “nacional-catolicismo”?

”A desculpa divina, como tantas vezes, durante a História, serve para blindar a consciência perante as maiores atrocidades. Franco não foi excepção, antes pelo contrário. Utilizou a Igreja espanhola como salvoconduto para os seus objectivos de eliminar o adversário, encobrindo-os debaixo de conceitos espirituais. A Igreja fez-lhe a vontade, acreditando que ela também beneficiava nos seus próprios interesses e contribuiu tenazmente de suporte moral ao franquismo. Os verdadeiros “comissários” do regime não foram os falanguistas, foram sobretudo os padres, religiosos e religiosas, devotados a praticar princípios “pedagógicos” em que a exaltação da “nova ordem” figurava como matéria essencial.”
(in “Franco y yo”, Albert Boadella, Espasa-Calpe, Madrid, 2003)

”O Estado Espanhol, consciente de que a sua unidade e grandeza assentam nos pilares da fé católica, inspiradores das suas façanhas imperiais, e desejoso de mostrar, uma vez mais e de maneira prática, a sua fiel adesão à Igreja, assim como reparar o iníqua exploração que os regimes liberais fizeram do seu património através de despejos sacrílegos, propõe-se prestar o tributo devido ao abnegado clero católico, cooperante eficaz da nossa gloriosa cruzada.”
(in entrevista de Franco, em Janeiro de 1938, ao “National Catholic Welfare Conference”)

”Senhor, aceita com piedade a oferta deste povo que em teu nome venceu com heroísmo os inimigos da verdade porque estavam cegos. Senhor Deus, em cujas mãos está todo o Direito e todo o Poder, presta-me a Tua assistência para conduzir este povo à plena liberdade do Império, para glória Tua e da Tua Igreja.”
(Franco, ao oferecer a sua “espada da vitória” ao altar-mor da Basílica de las Salesas Reales, Madrid, no Te Deum de celebração da vitória do fascismo, 20 de Maio de 1939)

”O Senhor esteja sempre contigo. Ele, de Quem procede todo Direito e todo Poder, e debaixo de cujo império estão todas as coisas, te abençoe, e continue a proteger-te, assim como o povo cujo governo te foi confiado. Dou-te a bênção em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
(Cardeal Primaz Isidro Gomá, em resposta a Franco, mesma cerimónia)

”Foram sacerdotes [os padres bascos fuzilados por Franco, já com a guerra terminada, por terem defendido a República e a autonomia basca] que se valeram da sua autoridade para enganar o seu rebanho, para levá-los à morte, para lutarem em união com os inimigos da fé, traidores à sua pátria, pior ainda, traidores ao seu Deus. Tiveram que responder ante a justiça humana, não como sacerdotes, mas sim como atiçadores da luta, através de um forma indigna do seu carácter sacerdotal”
(Frei Justo Pérez de Urbel, Abade do Vale dos Caídos e professor da Universidade de Madrid, referindo-se aos padres bascos fuzilados por Franco)

”Levantado o nosso coração ao Senhor, agradecemos sinceramente, com Vossa Excelência, a desejada vitória da católica Espanha. Fazemos votos para que este queridíssimo País, alcançada a paz, retome com novo vigor as suas antigas e cristãs tradições e que tão grande a fizeram. Com estes sentimentos, enviamos efusivamente a Vossa Excelência e a todo o povo espanhol a nossa apostólica bênção. Pio XII.”
(Telegrama do Papa Pio XII para Franco, 1 de Abril de 1939)
publicado por João Tunes às 18:22
link | comentar | ver comentários (3) | favorito
Quarta-feira, 25 de Maio de 2005

O ANO DA ONDA VERMELHA

clfinal_branding_headline.jpg

CSKA, Benfica, Liverpool, ...
publicado por João Tunes às 22:54
link | comentar | favorito

FAZER O MAL DEPOIS DE BRADAR PELA CARAMUNHA

ng_12042000103_g_reg07_foto[1].jpg

Tem razão o João Abel em recordar o ”caso Celeste Cardona” na sua nomeação política para a CGD e a propósito da ida de Fernando Gomes para Administrador da Galp pela mão do Governo PS.

Num caso e noutro, o escândalo equivale-se. Agora com uma carreira política em declínio, Fernando Gomes abriga-se numa bomba de gasolina perto de si. Uma vergonha.
publicado por João Tunes às 14:49
link | comentar | ver comentários (1) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. SOBRE A EDUCAÇÃO TESTEMUN...

. UM ÁS DO CASTRISMO

. SOBRE A EDUCAÇÃO TESTEMUN...

. SOBRE A EDUCAÇÃO TESTEMUN...

. ENTÃO, O QUE TENS FEITO ?

. O QUE TEM DE SER A EUROPA...

. O QUE TEM DE SER A EUROPA...

. O QUE TEM DE SER A EUROPA...

. QUE FORÇA É ESSA?

.arquivos

. Setembro 2007

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds